Três anos após um estudo inicial sobre os impactos de curto prazo da Web Summit na economia nacional, o Gabinete de Estratégia e Estudos (GEE) do Ministério de Economia revelou agora uma actualização sobre o mesmo tema.

Em paralelo, foram pedidos dois estudos complementares “para conhecer as percepções sobre o evento das start-ups portuguesas participantes na Web Summit e um outro para aferir as percepções de um conjunto de empresas multinacionais” que investiram em projectos de cariz tecnológico no país, nomeadamente “sobre o seu contributo em matéria de atracção de investimento tecnológico”.

O resultado final está neste relatório “Avaliação do Impacto da Web Summit“, de Francisco Carballo-Cruz, João Cerejeira e Ana Paula Faria, já com data de Novembro de 2021.

Em síntese, os autores concluem que:
1) “a Web Summit tem produzido um impacto macroeconómico muito relevante no país”, especialmente para Lisboa, e “esse impacto tem vindo a crescer ano após ano em resultado do crescimento anual do número de participantes”. Em termos de visitantes profissionais, o evento passou de 4.300 em 2016 para 4.953 em 2019 e atingiu os 5.300 em 2018;

2) as start-ups nacionais participam no evento “fundamentalmente para fazer networking e para aumentar a sua visibilidade e, em menor medida, para encontrar novos clientes e captar apoio financeiro”;

3) essas empresas indicam ainda, “como principais benefícios da participação no evento validar a sua ideia de negócio e adquirir competências e capacidades em diversos domínios”;

4) os autores consideram ainda que “deve ser melhorado o processo de vinculação entre investidores/parceiros e start-ups no âmbito do evento”, por forma a “aumentar os potenciais benefícios da Web Summit nas start-ups portuguesas, nomeadamente em termos de acesso a fundos/parceiros”;

5) as multinacionais que investiram nos sectores tecnológicos em Portugal “têm uma percepção muito favorável da Web Summit e consideram que gera impactos muito positivos sobre a economia portuguesa a diferentes níveis”;

6) apesar de não existir “uma relação directa entre os seus investimentos e o evento, este teve, em quase todos os casos, uma importância significativa, dado que sinaliza os recursos e capacidades do país e evidencia a aposta do governo por desenvolver sectores intensivos em inovação e tecnologia”;

7) além do networking, estas empresas participam no evento “também para conhecer as últimas novidades tecnológicas e monitorizar desenvolvimentos”;

8) as empresas tecnológicas “consideram Portugal um destino atractivo para os seus investimentos e tencionam reforçar a sua capacidade no país nos próximos anos”;

9) apesar das “boas condições para o acolhimento de investimento em centros, hubs e unidades de I&D tecnológico, o governo deve trabalhar conjuntamente com os actores relevantes para reforçar o seu posicionamento neste mercado e adotar práticas inovadoras e uma atitude mais pró-activa em matéria de captação de investimento tecnológico”.

O Ministério da Economia é um dos investidores até 2028 da Web Summit. Em 2019, o evento “teve um impacto sobre a procura interna de 72 milhões de euros e um impacto sobre a receita fiscal nacional de 24,9 milhões de euros“. No ano passado, os seus trabalhos decorreram em modelo online.