Quando questionados se o homem alguma vez foi à Lua, 25% de mais de 7.000 pessoas em sete países europeus consideram que não e tudo não terá passado de um truque televisivo.

Os resultados de um inquérito, obtidos no âmbito do projecto TRESCA sobre desinformação, confirmam a tese com alguns anos dos investigadores de que “uma parcela nada pequena da população não confia na autoridade em geral e desconfia da autoridade científica em particular. E nas redes sociais, espalham e reforçam o cepticismo uns dos outros”, fazendo emergir uma polarização na comunicação da ciência pouco saudável.

Isto ocorre com a ida dos astronautas à Lua mas também com o movimento anti-vacinas ou os alegados efeitos perniciosos das torres para as comunicações 5G, numa tendência que aparenta continuar a aumentar nesta década.

Os cidadãos inquiridos são da Alemanha, Espanha, França, Holanda, Hungria, Itália e Polónia e “os resultados diferem entre países e idades dos entrevistados”.

Numa outra amostragem na Alemanha, Espanha e Holanda, a 1.533 jovens entre os 16 e os 25 anos, descobriam-se “ainda mais dúvidas sobre a alunagem do que na população em geral, mais velha: 35% contra a média de 25%”.

O inquérito notou ainda que 62% considera que “muito do que acontece no mundo hoje é decidido por um pequeno e secreto grupo de indivíduos”.

Perante esta situação, o relatório “The online information environment“, da Royal Society do Reino Unido, considera que “a desinformação online sobre questões científicas, como mudanças climáticas ou segurança de vacinas, pode prejudicar os indivíduos e a sociedade”. No entanto, “censurar ou remover conteúdo impreciso, enganador e falso, seja partilhado involuntariamente ou deliberadamente, não é uma bala de prata e pode prejudicar o processo científico e a confiança do público. Em vez disso, deve haver um foco na construção de resiliência contra a desinformação prejudicial em toda a população e na promoção de um ambiente de informações online ‘saudável'”.

Existem ainda factores psicológicos para este tipo de posições relacionados com a crença na informação tanto verdadeira como falsa, nota David Rand (MIT) no seguinte vídeo.

Na sua descrição, refere-se que “repetição, alinhamento com crenças anteriores e ouvir fontes confiáveis” são factores que se correlacionam com uma maior crença na informação, independentemente da sua veracidade.

Os mais propensos a acreditar em falsidades carecem de capacidades de raciocínio e pensamento críticos e de literacias digital e mediática.

Para combater a desinformação, Rand recomenda a verificação de factos – apesar das críticas a este modelo, como se descreve em “Facebook versus the BMJ: when fact checking goes wrong” – e correções (incluindo pelo esforço de crowdsourcing) e fazer com que as pessoas pensem antes sobre a sua fiabilidade pode aumentar a qualidade das partilhas.

Mesmo fontes que se podem julgar fiáveis, como as pesquisas em motores de busca, podem devolver “informação conspiratória” e apontar para páginas online com teorias da conspiração.

Uma análise a cinco dessas ferramentas (Bing, DuckDuckGo, Google, Yahoo e Yandex), usando expressões como “terra plana”, “qanon”, “9/11”, “illuminati” ou “george soros”), em Março e depois em Maio de 2021 tanto nos EUA como no Reino Unido, mostraram que todos os motores de busca – com a excepção do Google – apresentaram resultados para esse tipo de informação no topo da lista de resultados.

A Comissão Europeia publicou esta semana os relatórios sobre as medidas tomadas pelas plataformas online (Facebook, Google, Microsoft, TikTok e Twitter) contra a desinformação nos dois últimos meses de 2021.

Estes signatários do Código de Conduta sobre Desinformação discutem agora com a Comissão um novo Código de Conduta, baseado nas orientações publicadas em Junho passado e que deverá ser apresentado até ao final de Março.