Avisar os utilizadores do Twitter de que estão a usar um discurso de ódio na plataforma pode levar a uma diminuição desse tipo de conteúdos, referem investigadores do Center for Social Media and Politics da New York University.

“Os debates sobre a eficácia das suspensões de contas nas redes sociais e erradicação de utilizadores abusivos são abundantes, mas sabemos pouco tanto sobre o impacto de alertar um utilizador sobre a suspensão de uma conta como de suspensões directas para reduzir o discurso de ódio”, explica Mustafa Mikdat Yildirim, autor principal do artigo “Short of Suspension: How Suspension Warnings Can Reduce Hate Speech on Twitter“, na revista Perspectives on Politics. “Mesmo que o impacto dos avisos seja temporário, a investigação fornece um caminho potencial para as plataformas que procuram reduzir o uso de linguagem de ódio pelos utilizadores”.

No estudo, escrevem que “para transmitir com eficácia uma mensagem de advertência ao alvo, a mensagem precisa de o consciencializar das consequências do seu comportamento e também fazê-lo acreditar que essas consequências serão administradas”.

Os utilizadores que foram alertados com estas mensagens “reduziram a proporção de tweets contendo linguagem de ódio até 10% uma semana depois” e, quando essa mensagem foi educada (“Entendo que tem todo o direito de se expressar, mas lembre-se de que usar a incitação ao ódio pode fazer com que seja suspenso”), a redução chegou a 15 a 20%. “No entanto, o impacto das advertências desapareceu um mês depois”.

Num outro estudo, relacionado com desinformação, investigadores da Fuqua School of Business da Duke University “identificaram um tipo de personalidade específica que não só é mais propícia a partilhar desinformação como não pára de o fazer mesmo após ter sido avisado”. São os chamados “conservadores inconscientes”.