Embora alguns considerem as seguintes observações pelo seu valor de prova confiável de que viajantes do tempo apareceram no passado, a maioria das pessoas não o faz. Há, no entanto, um ponto mais sério no final [deste texto]. A verdadeira resposta revela algo bastante fundamental sobre a experiência e a vida humana.

A essência deste texto é a seguinte: as pessoas têm visto iPhones em lugares onde simplesmente não deveriam estar, mas no entanto estão lá.

O que está a acontecer, como é isso realmente possível?

Vejamos alguns exemplos.

Exemplo 1 – iPhone em pintura de 1860

Fonte: Hajotthu/Wikimedia Commons

A imagem acima é uma pintura de Ferdinand Georg Waldmüller chamada “Die Erwartete” (“O Esperado”). A galeria data-o de 1850 a 1860. Parece retratar uma jovem hipnotizada pelo seu iPhone.

Mas é realmente um iPhone?

Vamos aumentar o zoom para ver mais de perto e, sim, há até um brilho do ecrã…

É definitivamente um iPhone… certo?

Quando foi detectado pela primeira vez, alguns até pareciam convencidos de que era…

… excepto que não é, claro.

Nesta pintura, o que realmente se vê é uma rapariga a ir para a igreja piedosamente segurando um livro de orações, e não um iPhone.

A maioria das pessoas que olhasse para a imagem antes do aparecimento dos smartphones teria identificado isto imediatamente de forma correcta.

Exemplo 2 – iPhone em mural de 1937

Acima, pode ver-se um homem que está definitivamente maravilhado com o iPhone na sua mão… correcto?

Esta é uma parte do mural em multi-secções, da era do New Deal, intitulado “Mr. Pynchon and the Settling of Springfield” (“Sr. Pynchon e a colonização de Springfield”). Foi concluído em 1937 pelo pintor italiano semi-abstracto Umberto Romano. Ele foi inspirado em eventos reais – um encontro pré-Guerra Revolucionária entre membros de duas tribos proeminentes da Nova Inglaterra, os Pocumtuc e os Nipmuc, e colonos ingleses na vila de Agawam no actual Massachusetts (EUA) na década de 1630.

Foi Umberto um viajante do tempo que nos deixou uma pista?

Vamos ampliar para se ver mais de perto…

Sim, deve ser apenas um iPhone, até se vê o contorno.

…excepto, claro, mais uma vez, não é.

Então, se aquilo não é um iPhone, o que poderá ser?

É um espelho.

Exemplo 3 – iPhone numa pintura de 1670

Detalhes da imagem da pintura na Wikimedia Commons

Acima, a pintura de 1670 de Pieter de Hooch mostra claramente um iPhone. É isso mesmo, uma prova sólida de viagem no tempo?

Vamos aumentar o zoom mais uma vez e também ajustar para lidar com a visibilidade.

Sim, isto só pode ser um iPhone… certo?

Agora, já pode ver onde isto vai dar. Pare de ler por um segundo e considere o que pode ser antes de conhecer a revelação no próximo parágrafo.

O título dessa pintura dá uma pista muito subtil sobre o que está realmente a acontecer. Se verificar o site da galeria, descobrirá que o título é “Man Handing a Letter to a Woman in the Entrance Hall of a House” (“Homem Entregando Carta a Mulher na Entrada de uma Casa”).

A verdadeira descoberta – pareidolia
Em muitos aspectos, somos produtos da era em que vivemos. Os nossos cérebros são mecanismos incríveis de procura de padrões que estão preparados para ver as coisas que esperamos ver ao nosso redor. Quando olhamos para estas imagens, vemos iPhones e não o que foi originalmente composto para representar. Isto ocorre porque todos nós ficamos condicionados pelas nossas experiências no mundo ao nosso redor para os interpretar como iPhones.

Embora não seja uma prova para viagens no tempo, é uma prova clara de que devemos sempre duvidar da nossa própria interpretação subjectiva das coisas que vemos e experimentamos.

Quando confrontados com uma afirmação incrível (fantasmas, deuses, percepção extra-sensorial ou PES, alienígenas, Bigfoot, etc…), é sábio dar um passo atrás e apreciar que o que está a ser apresentado é uma interpretação totalmente subjectiva sinceramente sustentada e não uma verdade objectiva. Todos nós interpretamos as coisas no contexto das nossas expectativas culturais. Não há excepções, é assim que somos e faz parte da experiência humana, todos nós fazemos isso.

Quando confrontado com reivindicações extraordinárias, a “dúvida” é sua amiga e não uma inimiga.

Artigo original de David Gamble publicado em Science and Critical Thinking. Reproduzido com autorização do autor.