Em Fevereiro, durante a London Fashion Week, a Machine-A e o Institute of Digital Fashion (IoDF) apresentaram uma experiência imersiva de uma loja de roupa.

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“A colaboração entre o IoDF e a Machine-A trará um toque envolvente a uma temporada digital de programas”, permitindo criar “uma ponte” entre apresentações virtuais e compras reais, referia a ShowStudio. Georgina Evans, editora de moda da revista Tomorrow, testou-a:

Eles não foram os únicos a testar esta aproximação:

Aliás, já há alguns anos se antecipava o impacto da realidade virtual na moda, que a pandemia veio acelerar:

Mas, apesar do enorme potencial artístico e comercial, incluindo a presença em reuniões virtuais para diminuir o impacto climático, todas estas novas aplicações de realidade aumentada ou virtual (AR/VR) “criam novos problemas para a privacidade do utilizador devido à finalidade, escala e sensibilidade das informações que recolhem. Para mitigar os danos, os decisores políticos devem reformar o actual cenário regulatório fragmentado para a privacidade de dados, que falha em abordar alguns riscos enquanto regula em excesso na resposta a outros”, refere-se no relatório “Balancing User Privacy and Innovation in Augmented and Virtual Reality“, da Information Technology & Innovation Foundation.

Nas suas conclusões, a ITIF considera que estes dispositivos e aplicações “oferecem um vislumbre de um futuro mais conectado, adaptável e rico em experiências imersivas. Mas também introduzem um nível de recolha de dados do utilizador e preocupações com a privacidade que outras tecnologias de consumo não apresentam. A fim de concretizar esse potencial e ao mesmo tempo mitigar os riscos da privacidade, programadores e legisladores devem considerar os danos reais que podem surgir dessa extensa recolha de dados”.

A instituição considera ainda ser “fundamental” olhar para estas tecnologias “não como uma tecnologia monolítica, mas como uma colecção de inúmeras tecnologias de recolha de informações que proporcionam uma experiência única. Os diferentes dados observáveis, observados, computados e associados recolhidos variam tanto em sensibilidade quanto em potencial de dano. Abordar esses danos reais, ao invés das tecnologias em si, permitirá que os decisores políticos e os programadores diferenciem as preferências do utilizador dos riscos críticos à privacidade”.

Os técnicos de desenvolvimento podem abordar as preferências da privacidade, “enquanto intervenções políticas adicionais podem ser necessárias para mitigar os riscos de danos das informações do utilizador”.

Por fim, “as complexidades da privacidade do utilizador em AR/VR exigem abordagens igualmente diferenciadas para mitigar as ameaças muito reais que a finalidade e a escala da recolha de dados apresentam. No entanto, é importante resistir à imposição de medidas reaccionárias que poderiam obstruir inovações em dispositivos e aplicativos AR/VR, bem como novas abordagens para a privacidade do utilizador em experiências imersivas. Ao abordar essas questões em termos dos tipos de informações recolhidas e dos danos reais que podem surgir, os decisores políticos podem moldar um ambiente regulatório que incentive essa inovação e, ao mesmo tempo, estabeleça as necessárias salvaguardas”.