No ano de maior crescimento online, quantos leitores “zombies” há em Portugal?

“Num ano em que todos os títulos de informação geral registam quebras na ordem dos dois dígitos, a maioria deles sofrendo quedas acima dos 20% na circulação impressa paga, o Expresso foi aquele que melhor resistiu ao impacto provocado pela pandemia”, revelam os dados da APCT para o ano de 2020.

O semanário tem também uma posição preponderante na “tendência de crescimento que vem sendo trilhada pela generalidade dos títulos no digital”, num ano que este poderá ter sido dinamizado pelos efeitos do confinamento pandémico, “com a circulação digital paga a beneficiar das restrições de circulação e necessidade de consumo de informação no contexto que vivemos, levando várias publicações a registar crescimentos de dois e até três dígitos”.

Assim, o Expresso passou dos 27.688 assinantes registados em 2019 para 42.403 no ano passado. Seguem-se o Público (cresceu das 18.855 assinaturas em 2019 para 31.192 no último ano), Jornal de Notícias (7.273), Diário de Notícias (3.519), Visão (2.711) e Correio da Manhã e Sábado, com apenas 1.623 e 1.358 assinaturas online, respectivamente.

No conjunto agregado de papel e online, Expresso, Público e Diário de Notícias crescem, para 99.009, 44.429 e 7.083, respectivamente. Nas revistas, a Visão consegue 32.989 e a Sábado fica perto com 32.173.

O que estes números não permitem aferir é o que o Medill Spiegel Research Center da Northwestern University (EUA) denomina de assinantes “zombies”, pessoas que assinam jornais online mas apenas lhe acedem cerca de uma vez por mês. Não é possível saber quantos são em Portugal porque os meios de comunicação social nacionais não revelam publicamente este tipo de dados.

A análise regista que, para os EUA, cerca de metade (49%) dos assinantes digitais são os conhecidos no meio por “zombies”.

“A preocupação com este problema está a crescer porque, embora esses mortos-vivos ainda paguem pelas notícias locais, eles parecem ser uma base fraca para construir um futuro”, refere-se. Apesar de alguns poderem considerar este fenómeno como “chocante”, Nancy Lane, a CEO da Local Media Association nota que valores acima dos 40% “é a percentagem típica para cada redacção com que trabalhamos”.

“A maioria dos assinantes são ‘zombies’ completos ou quase ‘zombies'”, complementa Ed Malthouse, director de investigação do Spiegel Center, cuja análise “descobriu que enquanto 49% dos assinantes digitais não visitavam nem uma vez por mês, 54% visitavam o site apenas um dia por mês ou menos, 58% visitavam dois dias ou menos, 69% visitavam sete dias ou menos e 79 % apareceu 15 dias ou menos”.

O Spiegel descobriu também como aqueles que visitam o site noticioso uma vez por mês ou menos têm “muito mais probabilidade de abandonar as suas assinaturas do que aqueles que lêem com mais frequência”. Lane considera que alguns assemelham este tipo de assinatura nos meios locais a um apoio “caridoso”.

Entre as soluções propostas para contrariar estas tendências fala-se do envio de “newsletters” ou em desenvolver sistemas de recomendação de artigos.

Foto: Johann Walter Bantz (Unsplash)

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