A insegurança da IA nos veículos autónomos não deve afectar os seguros?

As novas gerações de veículos automóveis estão a aproveitar os desenvolvimentos da inteligência artificial (IA) para os dotarem com capacidades de direcção semi-autónoma ou mesmo autónoma, num avanço tecnológico que terá um forte impacto nos comportamentos e práticas existentes, refere o recente relatório “Cybersecurity challenges in the uptake of Artificial Intelligence in Autonomous Driving“, elaborado pelo Joint Research Centre (JRC) e pela European Union Agency for Cybersecurity (ENISA) e onde se apresentam diferentes desafios e recomendações para melhorar a segurança da IA ​​em veículos.

Além da necessária segurança relacionada com o aumento da digitalização dos veículos e inúmeros sensores, “a IA traz ainda mais riscos de cibersegurança que podem comprometer o funcionamento adequado desse tipo de veículo, levando potencialmente a sérios impactos na segurança dos passageiros e de outros utilizadores das estradas”.

Os defensores das tecnologias em carros autónomos (AV) “podem melhorar a segurança e salvar vidas. Mas a mesma tecnologia expõe passageiros humanos a variedades novas e não testadas de ciber-ameaças e riscos”, lembra a Physics World.

O potencial “hacking” aos AVs “aumenta a probabilidade de colisões e riscos de risco de vida” e o físico Skanda Vivek “diz que qualquer carro construído com dispositivos que se ligam à Internet é vulnerável a um ‘hack’, mas a ameaça aos AVs é particularmente elevada porque os computadores controlam muitas funções.

Os fabricantes de automóveis ainda não estão a vender veículos totalmente autónomos porque, “embora seja esse o seu sonho, é também o grande desconhecido. A complexidade desses carros significa que os pesquisadores não conhecem todos os possíveis riscos ou ‘hacks’, o que torna difícil saber como optimizar a segurança”.

Outra possibilidade é esses carros serem usados para actos criminosos como, por exemplo, no tráfico de droga. O irmão do traficante Pablo Escobar afirmou, embora sem fornecer qualquer prova, que “ouvi sobre muitas pessoas a usá-los especialmente para países da América do Sul e que muitas pessoas podem ‘hackear’ os sistemas hoje em dia também para os adaptarem a como os querem”.

Apesar destes potenciais perigos, da automatização poder transformar os condutores maus em péssimos e do desejo de alguns em ter uma sociedade pós-automóvel, ainda se olha para os veículos como uma extensão em movimento dos lares, do conforto interior aos ecrãs, que junta naturalmente fabricantes automóveis a marcas de electrónica de consumo.

Aparentemente, o que não vai mudar radicalmente são os seguros automóveis. Para analisar esses impactos, a RAND Corporation publicou no ano passado o estudo “Autonomous Vehicles and the Future of Auto Insurance” onde detectou a necessidade do sector segurador ser mais “flexível para acomodar a introdução dos veículos autónomos” mas que não deve impor “mudanças radicais no sistema de seguros”.

Segundo a maioria dos especialistas inquiridos, este cenário deve-se a que “o processo de indemnização de seguros para acidentes envolvendo AVs e carros convencionais não muda significativamente no futuro”, não se devendo impor medidas que possam restringir a “importante” aceitação dos AVs pelos consumidores.

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