Fim do Flash dá início a problemas informáticos (e a um novo browser exclusivo)

A Adobe anunciou o fim da distribuição e de qualquer actualização para o programa Flash Player a partir de 31 de Dezembro de 2020. Após 12 de Janeiro passado, iria mesmo bloquear quaisquer conteúdos. A recomendação da empresa era simples: “desinstale a aplicação“.

Mas este fim anunciado da aplicação revelou-se um pesadelo para algumas organizações.

Na China, o sistema dos caminhos de ferro de Dalian “colapsou” durante horas após o software da Adobe ter parado de funcionar. Aparentemente, “os funcionários foram incapazes de visualizar diagramas de operação dos comboios, formular horários sequenciais dos comboios e organizar planos de manobras”.

As autoridades terão resolvido os problemas com a instalação de cópias ilegais do Flash no dia seguinte ou actualizado o sistema para versões do Flash Player que a Adobe garante apenas para a China, sem o fim de vida imposto para outras regiões.

A dúvida surge de outras notícias, onde se refere que todo este episódio é “falso, e notícias posteriores dos media chineses esclareceram que o tráfego ferroviário nunca parou em Dalian por causa do Flash. No entanto, as notícias também admitiram existir alguma verdade na versão original e que, de facto, algum sistema interno de estatísticas de tráfego parou de funcionar na estação ferroviária a 12 de Janeiro, quando a Adobe bloqueou o funcionamento do conteúdo do Flash”.

De acordo com mensagens nas redes Weibo e no WeChat, a situação só foi estabilizada após 20 horas de interrupções.

Confirmado está o caso da África do Sul, onde o South African Revenue Service (SARS) foi obrigado a encerrar a 13 de Janeiro. Um problema informático com o Flash ocorreu na entrega das declarações fiscais, o que levou as autoridades a terem de desenvolver um novo browser para garantir as entregas por via online até final de Janeiro.

Nessa altura, o SARS assumiu ser mais fácil criar um novo browser do que adaptar o seu site a formulários da Web sem Flash – algo que poderia ter sido feito atempadamente após o aviso inicial da Adobe em 2017.

O SARS eFiling Browser, baseado no Chromium, “re-activa o suporte ao Flash” e “permite aos utilizadores acederem ao site eFiling do SARS”. Esta funcionalidade dedicada queria evitar problemas de infecções informáticas por falhas no Flash (o que parece não suceder) mas levanta outro problema por funcionar em exclusivo “actualmente” para o ambiente Windows.

Segundo o Ars Technica, não só esta versão do browser tem problemas de segurança como parece ter sido desenvolvida por programadores russos.

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