Um século depois, ainda há poucas certezas sobre os robôs e o seu impacto no sector laboral

A robotização nem sempre faz decrescer o emprego ou os salários a médio ou longo prazo, afirmam investigadores da Universidade de Coimbra. No entanto, após a sua introdução, é notória uma queda nesses dois factores, com uma retoma a ocorrer apenas mais tarde.

Os investigadores explicam esta dinâmica, salientando que “quando os robôs não são adoptados, se a produtividade dos robôs está a aumentar mais do que a produtividade do trabalho está a diminuir, então, eventualmente, os robôs serão adoptados numa determinada zona onde antes não eram usados”. Neste contexto, “mesmo quando os robôs começarem a ser adoptados, essa tendência de produtividade vai continuar e eventualmente superar o efeito de deslocamento que implica o efeito negativo dos robôs no mercado de trabalho”.

A análise considera ainda que “algumas das visões mais pessimistas sobre os efeitos da robotização podem não ser verificadas à medida que a introdução de robôs se generaliza na economia”.

Os investigadores são taxativos: as ideias anteriores de que “a robotização contribui sempre para diminuir o emprego e os salários não se confirmam” neste estudo.

Apresentado em Outubro de 2020, o estudo “Robots are not always bad for employment and wages“, de Tiago Sequeira, Susana Garrido e Marcelo Serra Santos, do Centre for Business and Economics Research (CeBER) da Universidade de Coimbra, teve como país de análise os EUA, no período de 1990 a 2007.

O trabalho partiu de premissas sobre a ameaça robótica no mercado do trabalho, responsável por uma “ansiedade contra as máquinas”, sintetizada em “It’s Been 100 Years and the Robots Still Haven’t Taken Over“, o título de um artigo sobre a evolução dos robôs na ficção.

O termo “robô” surgiu numa peça de 1920, levada ao palco em Praga a 25 de Janeiro de 1921. Em “R.U.R.” (acrónimo de Rossumovi Univerzální Roboti, traduzido para inglês como “Rossum’s Universal Robots”), Karel Čapek analisava a carnificina derivada das máquinas usadas na I Guerra e o tipo de produção massificada e repetitiva de Henry Ford na produção automóvel desde 1913.

No geral, era um céptico da utopia da ciência e da tecnologia: “o produto do cérebro humano escapou ao controlo das mãos humanas”, disse em entrevista à London Saturday Review na estreia da peça. “Esta é a comédia da ciência”.

A origem do termo – que, mais correctamente se refere a um andróide e não a uma máquina metalizada – relaciona-se com a palavra checa “robota”, de trabalho forçado, cuja origem é “escravo”. É dessa cultura de “crescente poder e liberdade do seu patrão” que emergem as ameaças contra os seus “mestres”.

Dois exemplos ficcionados dessa rebelião estão patentes com os replicantes do livro “Do Androids Dream of Electric Sheep?”, base para o filme “Blade Runner”, ou os robôs-animadores do parque temático na série televisiva “Westworld”.

O criador de R.U.R. pode não ter sido o inventor do termo, mas sim o seu irmão pintor e escritor Josef Capek, em “Opilec”, uma “short story” publicada em 1917. Mas algumas fontes afirmam que Josef terá escrito a palavra como significando “autómato”.

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