Os danos da publicidade online na Europa podem ser reparados?

A publicidade online alimenta desafios urgentes que as sociedades enfrentam, incluindo as invasões à protecção do consumidor e dos direitos fundamentais até ao financiamento do ódio e da desinformação.

Para as autoras do recente relatório “Ad Break for Europe“, publicado pela Mozilla Foundation, esta publicidade online, sendo alegadamente “o modelo de negócios que sustenta a maior parte da Internet” actual, “falha em apoiar ou sustentar espaços digitais saudáveis ​​adequados para o propósito da maioria das pessoas”.

Para a Europa, as hipóteses de conseguir definir uma “visão própria do mundo digital depende de sua capacidade de regular e, em última análise, consertar uma indústria que se tornou insustentável, especialmente à medida que caminhamos em direcção a um mundo de inteligência artificial (IA) e da Internet das Coisas (IoT), onde ambientes online e offline estão cada vez mais interligados”. Mas “falta à Europa uma visão abrangente sobre como a sua estratégia digital se relaciona com a publicidade online”.

Apesar dos planos em a controlar em pacotes legislativos diversificados como os serviços digitais, a IA ou a reforma da directiva ePrivacy, “há um risco real de que essas iniciativas separadas levem a regras incoerentes ou que não consigam resolver os principais danos e riscos associados à publicidade online como a conhecemos hoje”.

Parte das recomendações do documento foca-se nestas leis, reconhecendo-se que uma Europa mais ousada deveria “fazer a transição para modelos de negócios na Internet que respeitem mais os direitos e permitam uma maior concorrência e inovação, permanecendo aberta e livre”. Isto porque, “enquanto as empresas europeias tentarem alcançar o modelo americano do capitalismo de vigilância, elas ficarão para trás”.

Num mercado dominado por um pequeno grupo de participantes dominantes, estes captam a grande maioria dos benefícios, ditam os termos e as condições aos utilizadores.

O problema agrava-se por, devido à pandemia, as grandes empresas do sector da tecnologia estarem “prestes a emergir mais fortes do que nunca”.

O relatório aborda estas questões analisando os problemas e as consequências económicas, as implicações nos direitos fundamentais e na protecção dos consumidores, bem como os danos sociais mais vastos, como o discurso do ódio ou até a falta de transparência sobre como funciona a publicidade online, tanto pelos consumidores como pelos anunciantes.

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