A distância nos bancos traseiros dos automóveis foram definidas tendo em conta a segurança das crianças. Onde antes cabiam três carrinhos de bebé, agora normalmente apenas se podem levar dois.

Esta decisão pode ter evitado 145 mil nascimentos nos EUA, desde 1980. Por cada uma das 57 crianças que sobreviveu a um acidente rodoviário, 141 nunca nasceram, extrapolam os investigadores no estudo “Car Seats as Contraception“, em cujo anexo eles revelam algumas das fragilidades do trabalho.

Jordan Nickerson, do MIT, e David Solomon, do Boston College, explicam no sumário do “paper” que “desde 1977, os estados dos EUA aprovaram leis que aumentam constantemente a idade para a qual uma criança deve viajar numa cadeirinha de carro”.

A idade mínima para esta situação, em termos de média nacional para os EUA, aumentou dos três anos na década de 80 para os quatro no virar do século, sendo actualmente de quase oito anos. “Esse aumento constante, sugere o estudo, pode ajudar a explicar porque as taxas de fertilidade caíram na última década, apesar de uma longa recuperação económica que normalmente encorajaria mais partos”, recorda a Reason.

Como essas leis dificultam a introdução de uma terceira cadeira de bebé na traseira do automóvel, os economistas estimam “que quando as mulheres têm dois filhos com idades que exigem assentos obrigatórios para o carro, elas têm uma probabilidade anual de dar à luz menor em 0,73 pontos percentuais”.

Nesse sentido, o problema afecta mais os lares com acesso a apenas um carro “e é maior quando um homem está presente (quando ambos os assentos dianteiros provavelmente estão ocupados)”.

“Estão Nickerson e Solomon certos”, questiona a Reason. “Talvez, mas há razões para duvidar. É um estudo correlacional, e os autores têm que controlar um grande número de variáveis para tentar descobrir o efeito das leis das cadeiras de carro sobre a fertilidade”.

A National Review lembra que este tipo de problema já tinha sido detectado por Jonathan Last no seu livro “What to Expect When No One’s Expecting“. Segundo ele, “os carros podem ser pró-criança mas são estranhamente anti-família”.