“A União Europeia está a finalizar planos para um ambicioso ‘gémeo digital’ do planeta Terra que irá simular a atmosfera, o oceano, o gelo e a terra com uma precisão incomparável, fornecendo previsões de cheias, secas e incêndios com dias a anos de antecedência”. A iniciativa Destination Earth (DestinE) “também tentará capturar o comportamento humano, permitindo que os líderes vejam os impactos dos eventos meteorológicos e das mudanças climáticas na sociedade e avaliem os efeitos das diferentes políticas climáticas”, refere a revista Science.

A UE anunciou a DestinE para “desenvolver um modelo digital da Terra de elevada precisão para monitorizar e simular as actividades natural e humana, e para desenvolver e testar cenários que permitam um desenvolvimento mais sustentável e apoio às políticas ambientais europeias”.

O workshop inicial sobre o DestinE ocorreu em Novembro de 2019. A 5 de Fevereiro, a Comissão alterou o nome de “Mission Earth” para “Destination Earth”.

Ainda este mês de Outubro, o Joint Research Centre deve revelar o estudo “Destination Earth – Use Cases Analysis” com o objectivo de se conhecerem os “requisitos para o desenvolvimento de gémeos digitais nos níveis de desempenho necessários ao DestinE, por meio da integração de casos de uso orientados pelo utilizador, bem como a arquitectura técnica e um mapeamento inicial dos desenvolvimentos existentes em Europa na área” destes “digital twins“.

Em termos de calendarização, a UE espera que em 2023 o DestinE possa ter o “lançamento de uma plataforma operacional baseada em cloud e os dois primeiros gémeos digitais”. Este número deve duplicar até 2025 e será possível “oferecer serviços aos utilizadores do sector público para desenvolver, monitorizar e avaliar o impacto da política proposta e das medidas legislativas relativas ao meio ambiente e ao clima”. Depois, será gradualmente aberto a investigadores e indústrias.

Entre 2025-30, deverá ocorrer o “desenvolvimento para um gémeo totalmente digital da Terra por meio de uma convergência” dos já existentes na plataforma.

Os utilizadores do modelo devem então poder aceder a “grandes quantidades de informações para:
– monitorizar continuamente a saúde do planeta (efeitos das mudanças climáticas, estado dos oceanos, criosfera, biodiversidade, o uso da terra e dos recursos naturais);

– realizar simulações dinâmicas dos sistemas naturais da Terra (domínios marinho, terrestre, costeiro, atmosférico);

– melhorar a modelação e as capacidades de previsão (por exemplo, para ajudar a antecipar e planear medidas em caso de furacões e outros eventos climáticos extremos e desastres naturais, e contribuir para a análise de eventos com grande impacto socio-económico);

– apoiar a formulação e implementação de políticas da UE (avaliação do impacto e eficiência da política ambiental e medidas legislativas relevantes, por exemplo); e

– reforçar as capacidades industriais e tecnológicas da Europa em simulação, modelação, análise predictiva de dados e inteligência artificial, bem como computação de alto desempenho.

Não se conhecem ainda as instituições envolvidas no projecto mas o director regional da Ciência e Tecnologia dos Açores, Bruno Pacheco, participou em Setembro passado, por videoconferência, no workshop “On the destination Earth (DestinE)”.