Variações digitais, em Portugal

A tendência tecnológica em Portugal é de descida, ao analisarem-se os últimos dados de publicações recentes.

Em termos do IMD World Digital Competitiveness Ranking, Portugal posiciona-se na 37ª posição entre 63 países.

Rui Coutinho, director executivo de Inovação & Crescimento da Porto Business School, parceira do estudo, considera que “Portugal precisa de acelerar, de forma decidida, o seu investimento na geração e transposição de conhecimento nas áreas digitais para as empresas. É na agilidade da gestão que está o problema mas, simultaneamente, também a solução. Por isso, cabe aos gestores portugueses compreender a importância de adotarem uma gestão mais empreendedora, mais ágil e mais adaptativa – um novo ‘darwinismo organizacional’ -, que precisa de recorrer a novas ferramentas digitais, suportar as decisões em dados e apostar, de forma clara, nas competências dos trabalhadores para o digital. Durante os últimos anos ouvimos as empresas falarem abundantemente em ‘transformação digital’. É verdade que muito foi investido no digital; mas a palavra mais importante nesse novo mantra das empresas deveria ter sido ‘transformação’. E aí, está quase tudo por fazer”.

Relativamente à Europa Ocidental, o estudo considera que todos os 29 países analisados “ficaram na metade superior da tabela, com os países da região a ocupar oito dos dez primeiros lugares do mundo em velocidade de Internet. A velocidade média regional de 81,19 Mbps – a mais rápida das 13 regiões globais em geral. Velocidades médias impressionantes foram medidas para os três primeiros lugares regionais de Liechtenstein (29,98 Mbps, 1º lugar do mundo), Jersey (218,37 Mbps, 2º) e Andorra (213,41 Mbps, 3º). Os lugares mais lentos na região foram Itália (23,18 Mbps, 68º), Cidade do Vaticano (19,12 Mbps, 75º) e Ilhas Faroé (15,47 Mbps, 90º)”.

Num outro trabalho relacionado com a banda larga móvel, com dados referentes a Outubro deste ano, a Rewheel nota como Portugal é o terceiro país com tarifas mais elevadas na banda larga, após o Canadá e o Japão.

Num terceiro estudo também sobre a banda larga em mais de 200 países, Portugal fica em 46º lugar na “Worldwide broadband speed league“.

Em termos de “Worldwide mobile data pricing“, que avalia o custo por 1 GB de dados móveis, a queda é muito maior e fica-se na 166ª posição.

Quanto ao custo da banda larga fixa, Portugal desceu da 94ª posição no ano passado para o 117º lugar, segundo estes últimos dados.

Para o secretário de Estado da Transição Digital, “internacionalmente somos identificados como um dos países mais digitalizados em governo eletrónico ao nível mundial”, revelando que “Portugal faz parte do D9 que é um grupo de nove países do mundo que é considerado o clube dos países digitais”.

No European Innovation Scoreboard surge como “um país altamente inovador, distinguindo-se do padrão dos países do sul da Europa e, pela primeira vez, em 2020 estamos alinhados com os países líderes digitais na área da inovação”. Na realidade, entre os quatro grupos (Innovation Leaders, Strong Innovators, Moderate Innovators e Modest Innovators), Portugal está nos “Strong Innovators”, com a Alemanha, Áustria, Bélgica, Estónia, França, Irlanda mas “acima ou perto da média da UE”.

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“No Digital Economic Social Index (DESI) estamos no pelotão intermédio mas temos a ambição de evoluir e, quando fazemos a desagregação dos vários indicadores, mais uma vez o maior défice são as competências digitais e a utilização da Internet”, resumiu André de Aragão Azevedo.

graph of the main findings of the report

Nem sempre foi assim, e Portugal até conseguiu alguns lugares cimeiros quando apostou nas novas tecnologias, nomeadamente no ensino. Em 2010, qual era a capacidade da infra-estrutura para a rede científica e do ensino superior, qual a quantidade de conteúdos científicos disponibilizados e qual o saldo na computação distribuída?

A 5 de Julho de 2011, cerca de um ano antes da sua extinção, um comunicado de imprensa da UMIC – Agência para a Sociedade do Conhecimento revelou os dados sobre a “e-Ciência, ou seja sobre os instrumentos de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) ao serviço da investigação científica, incluindo informações sobre infra-estruturas, conteúdos e computação distribuída”.

A e-Ciência era então “a área de aplicação das TIC em que se verificaram progressos mais acentuados nos últimos cinco anos, os quais levaram Portugal a integrar o grupo dos países da União Europeia (UE) mais adiantados nesta área”.

A UMIC tinha como missão “coordenar as políticas para a sociedade da informação e mobilizá-la através da promoção de actividades de divulgação, qualificação e investigação”, bem como “a promoção do desenvolvimento tecnológico e a criação de conhecimento por entidades do sistema científico e tecnológico e por empresas, a promoção do desenvolvimento da Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade (RCTS), (…) a promoção do acesso coordenado a meios de computação distribuída de elevado desempenho para apoio a actividades de investigação e ensino, a promoção da disponibilização online de literatura científica e tecnológica e de repositórios científicos, e a correspondente articulação internacional, a promoção da realização de estudos, análises estatísticas e prospectivas no âmbito da sociedade da informação e do conhecimento”.

RCTS na actualidade

Os dados revelavam, em termos de infra-estrutura:
– A conectividade internacional na RCTS no final de 2010 era de 20 Mbit/s (17 vezes a do final de 2005, quando era 1,2 Gbits/s). [Actualmente, segundo informação do seu site, disponibiliza débitos síncronos entre 100Mbps e 10Gbps].

– A RCTS chegava a 86% do sistema nacional do ensino superior, no final de 2009 (dimensão das instituições quantificada pelo número de alunos inscritos), sendo a cobertura “de 100% para o ensino superior público (aumento de 5% desde o final de 2004) e 43% para o ensino superior privado (aumento de 41% desde o final de 2004)”.

– “55% do sistema nacional do ensino superior público estava coberto por fibra escura da RCTS no final de 2009, o óctuplo do final de 2004, e 62% do sistema nacional público universitário, quase o sêxtuplo do final de 2004″.

– “98% do sistema nacional do ensino superior público e 99% do sistema nacional público universitário estavam cobertos por serviços de Voz sobre IP (VoIP) no final de 2009, quando essa cobertura era de 0% em 2007”.

Ao nível dos conteúdos, contavam-se
– “49.978 publicações científicas (19.201 publicações científicas periódicas, 18.363 e-books, 12.414 títulos de proceedings ou transactions) eram disponibilizados em 2010 a todas as instituições do ensino superior público pela RCTS (Biblioteca do Conhecimento Online ou b-on), a partir de aquisições aos principais editores científicos internacionais agregadas à escala nacional (“big deal” de âmbito nacional), mais do séptuplo de 2004.

– Verificaram-se 5,6 milhões de downloads de artigos em texto completo de publicações científicas internacionais disponibilizadas através da b-on em 2010 (o dobro de 2005 e 3,3 vezes o valor de 2004).

– 31 repositórios institucionais e 50.521 documentos estavam disponíveis através do Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) no final de 2010. O número de repositórios institucionais foi multiplicado por 31 e o número de documentos por mais de 80 desde o final de 2004, quando eram 1 e 626, respectivamente.

– 55% do sistema nacional do ensino superior estava coberto por repositórios institucionais de acesso aberto no final de 2009, 13,5 vezes o valor do final de 2004. A cobertura do ensino público universitário era 96%, 10,9 vezes o valor do final de 2004, a do ensino público politécnico era 27%, 67,5 vezes o valor do final de 2004, e a do ensino superior privado era 7% (foi 0% até ao final de 2008)”.

Em termos de computação distribuída, a UMIC apontava para a existência de:
– “2.093 CPU CORES e 743 terabytes de memória em disco na Infrastrutura Nacional de Computação Grid (INGRID) no final de 2010, respectivamente, 30 e 33,7 vezes os valores do final de 2006, quando eram, respectivamente, 70 e 22 terabytes.

– Portugal era então um dos países mais contribuidor em computação Grid na Europa “relativamente à população (2,5 vezes a percentagem da população), quando em 2006 a contribuição de Portugal era negligível (0,02% em ‘jobs’ e 0,05% em tempo de CPU, ou seja, respectivamente 1 e 2,5 centésimos da percentagem da população)”.

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