O efeito dos media na saúde mental

As autoridades sanitárias não o podem dizer mas a exposição aos media faz mal à saúde mental, no âmbito de uma pandemia como a do Covid-19.

Os níveis de stress aumentaram no primeiro mês após a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter declarado a situação de pandemia, em meados de Março passado. Esta situação, detectada para os EUA por investigadores da University of California, revela que “diagnósticos de saúde mental e física pré-existentes, horas diárias de exposição aos media relacionada com o Covid-19, exposição a informações em confronto sobre o Covid-19 nos media” estiveram “todos associados a stress agudo e sintomas depressivos”.

Segundo o estudo, “os resultados têm implicações para o direccionamento de intervenções de saúde pública e esforços de comunicação de risco para promover a resiliência da comunidade à medida que a pandemia aumenta e diminui ao longo do tempo”.

A exposição aos media foi analisada relativamente ao tempo passado com os media tradicionais, notícias online e media social. Perante desastres como a pandemia, as pessoas tendem a “recorrer aos media em busca de informações para as orientar, tornando-os numa fonte crítica de exposição à crise”. Mas estudos anteriores demonstraram que “a exposição à cobertura pelos media de traumas colectivos como violência em massa, surtos de doenças infecciosas ou desastres naturais pode ser uma faca de dois gumes” para o público, na medida em que o informa mas em simultâneo amplifica “os sintomas de stress, preocupação e risco percebido, com implicações significativas para a saúde pública”.

As mensagens em confronto “podem exacerbar ainda mais o stress, especialmente no contexto de lidar com circunstâncias de risco de vida que podem piorar à medida que a pandemia se desenvolve ao longo do tempo”. Neste caso e perante a incerteza, os investigadores sugerem “a importância de fornecer mensagens consistentes para promover a resiliência e proteger a saúde mental”.

Perante o grau de confiança nos media pelo público em geral, “é fundamental que eles forneçam informações precisas de maneira não sensacionalista, usando mensagens claras e não contraditórias”.

Em sentido contrário, existe o risco de aumentar não só o stress como sintomas de ansiedade e depressão, levando à “promoção de teorias da conspiração que minam o envolvimento nos comportamentos de saúde”.

Assim, “incentivar o público a limitar a sua exposição aos media é uma importante intervenção de saúde pública para prevenir os sintomas de saúde mental e física e promover a resiliência”.

O estudo foi acompanhado por um outro de análise às Google Trends (tendências), que detectou sinais de ataques de pânico em milhões de pesquisas.

Os investigadores liderados por Michael Hoerger, professor de psicologia na Tulane University School of Science and Engineering, analisaram “uma extensa lista de termos relacionados com a saúde mental que as pessoas pesquisaram antes e depois da declaração de pandemia pela OMS. “Eles encontraram um grande salto nas pesquisas relacionadas com a ansiedade, ataques de pânico e tratamentos para ataques de pânico, especialmente técnicas remotas e de autocuidado, nas semanas seguintes à declaração da pandemia”.

Estes resultados devem ser lidos com algum cuidado, apesar do Google Trends poder ser “uma forma eficaz de rastrear a propagação de doenças. Na última década, os epidemiologistas ligaram as pesquisas dos utilizadores às incidências de intoxicação alimentar, ao aumento da doença de Lyme e à gravidade de uma época gripal” ou até mesmo a antecipação da pandemia a partir dos termos relacionados com os sintomas do Covid-19. No entanto, “o Google Trends nem sempre corresponde aos dados do mundo real. Em 2013, um estudo da Nature apontou que o Google Trends antecipou um grande aumento nacional de casos de gripe que simplesmente nunca aconteceu”.

Tendo em conta essas limitações, notou-se como vários países procuraram alternativas ao pessimismo mediático que flagelou a actual pandemia. Portugal procurou por “boas notícias” no Google Trends desde 8 de Março, com essa actividade a desaparecer em Junho e Julho. Nos EUA, o mesmo ocorreu em termos de crescimento e de interesse na expressão “good news” desde Março.

* Foto: Andrew Parsons/No 10 Downing Street (CC BY-NC-ND 2.0)

One thought on “O efeito dos media na saúde mental

  1. Data vênia, o artigo ora inserindo não acrescenta praticamente nada ao já mais que sabido de há longa data.
    Basta um repasse virtual pelas fontes existentes que abordam tal temática para constatar o fundamento desta assertiva despretensiosa.
    O humano, quando submetido a forte stress – “in casu”, a atual situação de limitação forçada da liberdade (prisão infundada) – reage de diversas maneiras, mas todas as reações soem ser negativas.
    J.koffler

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