Dos mitos sociais às provas reais

O relatório “Good Intentions, Bad Inventions: The Four Myths of Healthy Tech“, de Amanda Lenhart e Kellie Owens, da Data & Society, desfaz os mitos comuns sobre o nosso relacionamento com a tecnologia para defender narrativas baseadas em provas que reforçam o agenciamento e a igualdade, não o controlo e o vício.

O seu sumário clarifica: “O pensamento actual sobre o vício em tecnologia é amplamente baseado no determinismo biológico – a ideia de que ‘não podemos evitar’ tornar-nos viciados em tecnologia – e no solucionismo tecnológico – uma crença de que as mudanças tecnológicas por si só podem resolvem o bem-estar digital. Nenhuma destas abordagens é baseada em provas empíricas e ambas colocam a culpa no indivíduo, e não na plataforma”.

As autoras analisam quatro mitos da “tecnologia saudável”, explicando a sua origem e como os contornar. “Destinada a quem concebe, desenvolve e regulamenta tecnologias emergentes, a obra fornece às equipas novas ideias sobre como analisar e melhorar o bem-estar do utilizador”.

Mitos e o que dizem as provas
1. A media social é viciante e não se consegue resistir-lhe.
O conceito de vício não abrange toda a gama de prazeres, riscos e usos que as pessoas criam com a tecnologia.

2. As empresas de tecnologia podem resolver os problemas que criam com tecnologia melhor.
Algumas tecnologias não podem ser corrigidas com mais design, e algumas tecnologias não devem sequer ser desenvolvidas.

3. Métricas de crescimento e envolvimento (“engagement) são os melhores impulsionadores para a tomada de decisão nas empresas de tecnologia.
Muitas das partes mais importantes do bem-estar digital não podem ser capturadas por métricas quantitativas.

4. A nossa saúde e bem-estar dependem de gastar menos tempo com os ecrãs e as plataformas de media social.
A nossa saúde e bem-estar não podem ser reduzidos à única variável do tempo de ecrã.

Em resumo, concluem as autoras, “abandonar os mitos que estruturaram debates sobre o bem-estar digital permitirá a utilizadores, pais, empresas e decisores políticos desenvolver uma compreensão mais robusta e matizada das reais potencialidades, e das actuais armadilhas, do uso da tecnologia pela variedade de pessoas que o usam.

As empresas de media social não podem assumir que todas as pessoas nas suas plataformas têm experiências semelhantes, nem podem presumir que todas as pessoas reagem da mesma maneira às mudanças que fazem. Em vez disso, devem trabalhar para descobrir quais são essas experiências diferentes, determinar se são prejudiciais e eliminar as desigualdades.

Ainda assim, as empresas de tecnologia não podem trabalhar no vácuo. Os “insiders” da tecnologia não devem ser deixados a definir os problemas com a media social e a propor as soluções. Eles devem integrar o trabalho de diversos estudiosos das ciências sociais nos seus processos. Eles precisam de se envolver de forma significativa com grupos externos para ajudá-los, necessitam de ser guiados pelas provas e precisam realmente de ouvir todos os seus utilizadores”.

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