A ficção da informação na TV

A televisão deturpa a sociedade. A realidade social vista no ecrã televisivo não corresponde à sua verdadeira importância. Os ricos aparecem mais do que os pobres, os deficientes nem vê-los, tal como é difícil ver jovens e idosos.

Esta é a situação televisiva em França, apresentada no relatório “Baromètre de la diversité de la société française – résultats de la vague 2019“, realizado pelo Conseil supérieur de l’audiovisuel (CSA).

“Os media audiovisuais, e particularmente a televisão, têm um papel importante no processo de integração dos indivíduos na sociedade”, constata a CSA, que encoraja “a promoção da diversidade nacional”.

O relatório é publicado anualmente desde 2009, pelo menos dois anos após a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) intervir em Portugal “em cumprimento do texto constitucional (art. 38.º, n.º 6, CRP) que contempla a obrigação dos meios de comunicação social do sector público assegurarem a possibilidade de expressão e o confronto das diversas correntes de opinião”.

Na realidade, a ERC adoptou o que diz a Constituição apenas para a equidade partidária, quando o referido artigo constitucional tem uma abrangência social mais ampla: “A estrutura e o funcionamento dos meios de comunicação social do sector público devem salvaguardar a sua independência perante o Governo, a Administração e os demais poderes públicos, bem como assegurar a possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião”.

O CSA analisa esta situação a partir de sete critérios: origem étnica, sexo, categoria sócio-profissional, deficientes, faixa etária, situação de precariedade e local de residência. No total, para o ano passado, foram indexadas mais de 37 mil pessoas em quase 2.400 programas (cerca de 1.450 horas de emissão). Os resultados mostram que
– apenas 15% de “não brancos” têm acesso à televisão:

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– num país com 20% de deficientes, apenas 0,7% acedem ao palco televisivo:

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– jovens e idosos têm menos visibilidade:

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– por fim, assiste-se a um fosso “persistente” na representação das categorias sócio-profissionais:

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Esta “representação das categorias sócio-profissionais (CSP) não reflecte a realidade profissional da sociedade francesa. As categorias sócio-profissionais superiores (CSP+) ainda estão sobre-representadas (73%), em detrimento das categorias sócio-profissionais inferiores (CSP-), representadas em 12%, e as inactivas (15%), enquanto que os números do [instituto francês de estatística] INSEE, o CSP+ e CSP- representam, respectivamente, 28% e 27% da população e os inactivos 45%”.

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