A hiperligar para a WayBack Machine

176 revistas científicas em “open access” (OA) desapareceram da Internet entre 2000 e 2019, “abrangendo todas as principais disciplinas de investigação e regiões geográficas do mundo”. Esta situação gera “uma preocupação vital com a integridade do registo académico e destaca a urgência de tomar acções colaborativas para garantir o acesso contínuo e evitar a perda de mais conhecimento académico”, defendem dois investigadores de universidades alemãs em “Open is not forever: a study of vanished open access journals“.

A análise detectou ainda quase 900 revistas em OA inactivas e ainda acessíveis mas em “elevado risco de desaparecer no futuro próximo”.

O estudo não aponta exemplos ou os números de citações para artigos destas publicações, nota a revista Science. “Cerca de metade dos periódicos foram publicados por instituições de investigação ou sociedades académicas; nenhuma delas é um grande actor nas ciências naturais. Nenhum dos diários agora desaparecidos foi produzido por uma grande editora comercial”, refere.

Esta pode ser uma das justificações para quem defende o armazenamento alternativo de certos conteúdos online.

Com o título “Why I Link to WayBackMachine Instead of Original Site“, o autor do blogue Hawaii GenTech defende o uso das hiperligações não para o conteúdo online actual mas para as páginas guardadas na Wayback Machine (WM).

Para Leo Blanchette, a explicação é simples: “a hiperligação para um arquivo é provavelmente mais fiável do que a feita para um conteúdo Web dinâmico instável”, embora original na actualidade.

Esta decisão “assegura que após alguns anos, um meu artigo continua a ser consistente”, derivado da instabilidade natural da Web que pode remeter para páginas com o erro 404 (a situação “mais comum”), editadas e alteradas ou até substituídas por novo conteúdo (como spam), bem como ter um acesso entretanto fechado por sistemas de pagamento online.

Se o repositório WM não tiver essa página indexada, ele aconselha que se faça uma para assim garantir a estabilidade na hiperligação.

A estratégia já está a ser usada nas campanhas de desinformação online, nomeadamente durante a pandemia do Covid-19.

Este “uso muito eficaz das ferramentas online” ocorre “quando as campanhas de desinformação descobrem novas formas de contornar as imposições das redes sociais ou dos verificadores de factos”, como se refere em “A desinformação na pandemia“.

No exemplo da WM, esta era usada “para promover ‘conteúdo zombie’ que evitava os moderadores de conteúdos ou os ‘fact-checkers'”, como descobriram investigadores. Eles “detectaram que páginas recentes com desinformação não eram populares no Facebook, ao contrário do que sucedia com as armazenadas na WM”.

Por exemplo, uma página conseguia 649 mil interacções e 118 mil partilhas na WM, enquanto no Facebook obtinha apenas 520 interacções e 100 partilhas.

[act.: How the Internet Archive is Ensuring Permanent Access to Open Access Journal Articles]

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