Facebook elimina anúncios políticos… durante uma semana

Ao limitar a apresentação de anúncios políticos para as próximas eleições presidenciais norte-americanas, o Facebook vai bloquear tanto a informação fiável como a desinformação. As regras aplicam-se aos anúncios sobre as eleições ou políticos mas não afectam as campanhas contratadas até 27 de Outubro, que irão continuar a ser visualizadas.

A rede social anunciou na semana passada esta limitação, em vigor apenas durante a semana anterior às eleições nos EUA marcadas para 3 de Novembro. A empresa prevê ainda eliminar textos na sua rede social a afirmar como a ida às urnas contamina com o Covid-19 mas “outros textos que usam a pandemia para desencorajar a votação vão manter-se, com uma hiperligação para mais informação sobre o Covid-19”.

A preocupação decorre igualmente da falta de informação aos eleitores sobre como é efectuada a eleição em tempos de pandemia, apontou a ProPublica.

No passado, “as regras do Facebook para verificar certos anúncios das campanhas [políticas], mas não outros, foram criticadas”.No entanto, e apesar das regras em sentido contrário, o algoritmo do Facebook “promove activamente” conteúdos dos negacionistas do Holocausto, por exemplo.

Com o anúncio das novas medidas, demonstra-se “como o Facebook se tornou uma parte integrante do processo democrático americano – mas que é controlado pelas decisões de uma empresa privada, que pode definir regras no seu próprio interesse”.

Um analista considerou “perturbadora” a medida assumida anos após o escândalo da Cambridge Analytica e a alegada estratégia de “remove, reduce, inform” e definida também em 2018: “sabíamos que as eleições de 2020 estavam a chegar. Este tem sido o evento número um do calendário nos últimos quatro anos. Portanto, para ter esse tipo de resposta ordinária é, na minha opinião, muito patético”.

Tanto mais quanto o CEO da empresa, Mark Zuckerberg, “se comprometeu a passar 2018 tentando consertar o Facebook. Mas até mesmo as tentativas nascentes da empresa para se reformar estavam a ser examinadas como uma possível declaração de guerra às instituições da democracia”, no que resultou, segundo a revista Wired, em 15 meses infernais.

“O Facebook é grande demais para a democracia” e Zuckerberg “é o homem não eleito mais poderoso da América”, apontava o New York Times. “É muito difícil para os seres humanos imaginarem o tamanho real e a influência da plataforma. Algo como uma em cada três pessoas usa-a – é diferente de tudo o que encontramos na história humana. E não tenho a certeza se Mark Zuckerberg está disposto a contemplar a sua influência”, declarava Siva Vaidhyanathan, professor de estudos de media na University of Virginia. A sua visão “é sobre poder. Acho que Mark Zuckerberg tem a visão de que ligar todas as pessoas do mundo numa rede – a sua rede – é a melhor coisa que qualquer ser humano pode fazer”, refere Roger McNamee, um dos primeiros investidores do Facebook e autor de “Zucked: Waking Up to the Facebook Catastrophe”.

Esta influência sustentada nos anunciantes. A campanha #StopHateforProfit (para a empresa “parar de valorizar os lucros acima do ódio, da intolerância, do racismo, do anti-semitismo e da desinformação“) apenas conseguiu interessar pouco mais de 1.200 anunciantes de uma vasta rede publicitária:

A alternativa passa por encerrar o Facebook? “No futuro próximo, a morte do Facebook continua a ser um evento de alto risco e baixa probabilidade”, escrevem investigadores da University of Oxford em “What if Facebook goes down? Ethical and legal considerations for the demise of big tech“. Até porque “as empresas falham regularmente e desaparecem – levando cada vez mais consigo uma grande quantidade de dados dos clientes-utilizadores que recebem apenas proteção e atenção limitadas de acordo com a legislação existente. Os danos legais e éticos [acabam por ser] igualmente relevantes para o fecho de outras empresas, embora em menor escala. Independentemente de qual será a próxima empresa rica em dados a ser eliminada, devemos ter certeza de que uma estrutura de governança adequada esteja em vigor para minimizar os danos sistémicos e individuais”.

Foto: The National Guard (CC BY 2.0)

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