Telecomunicações em tempos de pandemia

A União Internacional das Telecomunicações (ITU) lançou em Março passado a iniciativa Global Network Resiliency Platform (REG4COVID), um repositório destinado às autoridades reguladoras do sector das TIC e decisores políticos de todo o mundo em tempos de pandemia.

A plataforma pretendia “partilhar ideias úteis, práticas recomendadas e lições aprendidas para aumentar a resiliência das redes perante a procura sem precedentes” das redes de telecomunicações.

Das 400 experiências e contributos recolhidos, apenas três são de Portugal (a Anacom revela a suspensão da migração da TDT e a autorização para os operadores poderem efectuar medidas de gestão do tráfego nas redes, enquanto a Meo divulga algumas das suas iniciativas enquanto operadora).

Os resultados foram divulgados pela ITU na análise “Pandemic in the Internet Age“. As principais conclusões recolhidas foram, como escreve a ITU, as seguintes:
1. Do ponto de vista económico, o custo dos atrasos na implantação de novas tecnologias e serviços é mais elevado do que nunca. Num mundo pós-pandemia, os serviços de telecomunicações e as TIC são agora mais valiosos para a sociedade. Cada ano de atraso no fornecimento de níveis de serviço melhores e maiores resulta num custo de oportunidade significativamente maior.

2. Isto significa que agora é socialmente ideal e indiscutivelmente imperativo antecipar com urgência a implantação de uma nova infra-estrutura digital. A sua implementação pode ser semelhante à atribuição do espectro IMT [nome genérico da ITU para as 3G/4G] em procura e de novas gerações de normas tecnológicas, por exemplo, ou passar mais rapidamente para o 4G e o 5G, ou abordar os desafios específicos do Covid-19 relativamente ao rastreamento de contactoc e da desinformação.

3. Os desafios de equidade no acesso aos serviços de telecomunicações e de TIC no mundo pós-Covid devem ser geridos. Na medida em que a melhoria do acesso aos serviços de telecomunicações e às TIC pode fornecer inclusão social, acesso a serviços, igualdade de género, acesso à educação e, potencialmente, acesso a emprego, as TIC têm um papel essencial a desempenhar na compensação desses impactos negativos de equidade com o Covid-19.

4. Embora possa ser tentador considerar que uma vacina eficaz permitiria ao mundo regressar aos dias pré-pandémicos, muitos factores sugerem que “o novo normal” pode parecer bem diferente. Para as operadoras de telecomunicações, isso pode parecer uma adaptação da rede ao aumento do tráfego de vídeo, melhorando a qualidade e a fiabilidade e continuando a aumentar a capacidade enquanto aceleram as implantações 4G/5G. No entanto, os principais elementos que compõem ou influenciam o “novo normal” para o sector das TIC devem ser revistos a cada 12 meses. A médio e longo prazo, haverá flexibilidade para respostas mais substanciais e sustentáveis.

5. Por último, enquanto o mundo tenta compreender como será um “novo normal”, está claro que as mudanças que se fizerem agora serão duradouras. Como declarou recentemente o primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau, “o Covid-19 será algo que criará mudanças na nossa sociedade. A nossa responsabilidade como sociedade, como governos, é tentar descobrir como minimizar os impactos negativos dessas mudanças e, ao mesmo tempo, maximizar a segurança [dos nossos cidadãos]”.

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