Ajustados à anormal normalidade

Na capital do Chile, um prédio exibiu o “poderoso slogan” de que “não voltaremos ao normal, porque o normal era o problema“.

Com esta imagem, Vijay Prashad, professor de Estudos Internacionais no Trinity College (Connecticut, EUA), salientava como “agora, no meio do novo coronavírus, parece impossível imaginar um regresso ao mundo anterior, um mundo que nos desamparava mesmo antes da chegada dessas partículas microscópicas mortais. Ondas de ansiedade prevalecem; a morte continua a perseguir-nos. Se existe um futuro, dizemos uns aos outros, ele não pode imitar o passado”.

É perante este inexistente regresso à normalidade que a Academy of Ideas questiona se “vivemos numa época em que a normalidade se tornou uma doença? A nossa sociedade tornou-se tão corrupta que, quanto mais nos adaptamos a ela, menos funcionais nos tornamos”?

Ou estaremos num perpétuo desejo de regresso ao passado, em que as pessoas procuram “restabelecer a ordem e o significado das suas vidas à medida que as nossas sociedades mudam, desejam um retorno ao status quo. Mas voltar ao modo como as coisas eram, embora provavelmente nem mesmo seja possível, não seria benéfico”.

O Ocidente tem existido “num estado de doença e declínio há décadas e a normalidade tem sido um padrão corrompido por tanto tempo. O que é diferente agora é que o poder ininterrupto da realidade está a esmagar as ilusões que impediram muitas pessoas de ver a doença da normalidade moderna e que as mantinha a acreditar que conformar-se a tais padrões era o caminho mais seguro a seguir”.

Há mais de 60 anos, Aldous Huxley avisou: “as verdadeiras vítimas desesperadas das doenças mentais podem ser encontradas entre aqueles que parecem ser os mais normais… eles são normais apenas em relação a uma sociedade profundamente anormal. O seu ajustamento perfeito a essa sociedade anormal é uma medida da sua doença mental. Esses milhões de pessoas anormalmente normais, vivendo sem confusão numa sociedade à qual, se fossem seres humanos, não quereriam estar ajustados”.

Redes sociais, tecnologias de vigilância, artefactos do prolongamento corporal como os telemóveis, podem ser entendidos como mais um contributo numa “sociedade anormal normalizada”, que justifica o tema do seguinte vídeo: “vivemos numa sociedade doente?”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.