E depois do COVID-19, um permanente estado de crise?

Como é que o confinamento devido ao COVID-19 afectou os quatro principais indicadores de confiança económica? O Stats Monitor permite monitorizar a evolução da confiança industrial, do consumidor, da construção e do retalho ao longo do tempo.

Ao longo dos anos, o Eurostat tem recolhido regularmente dados em toda a Europa, sobre a confiança de consumidores e gestores que operam em sectores económicos essenciais, como os referidos. Os indicadores derivam de vários inquéritos qualitativos e quantitativos envolvendo dezenas de milhares de consumidores, famílias e empresas. Os seguintes gráficos, produzidos pelo Stats Monitor da EDJNet (uma ferramenta que se baseia directamente nos dados do Eurostat), mostram como a confiança económica evoluiu no curto e no longo prazo na União Europeia.

Obviamente, o confinamento pelo COVID-19 impactou todos os quatro principais indicadores de confiança económica: industrial, do consumidor, na construção e confiança no retalho. De facto, a queda foi espetacular. O gráfico seguinte, em vez disso, esboça como os dados foram alterados nos últimos 20 anos.

Podemos associar intuitivamente as inclinações descendentes às crises mais importantes que se enfrentaram nas últimas décadas. Desde a bolha da dot.com e os ataques terroristas pós-Setembro de 2001 no início do século até ao colapso financeiro de 2007-2008, da crise da dívida soberana ao surto de COVID-19. Na verdade, olhando para estes dados, pode-se perguntar se a UE realmente viveu um estado prolongado de crise ao longo dos últimos 20 anos. Notavelmente, não existe um único período de tempo em que todos os quatro indicadores, juntos, sinalizem variações positivas.

O próximo gráfico mostra as variações dos indicadores de confiança no que, com base no gráfico anterior, aparece como o período mais “positivo”: os últimos cinco anos (Abril de 2015 a Abril de 2020).

As boas notícias nisto tudo? Esses dados referem-se a sentimentos e a confiança, uma variável que é distinta das taxas de crescimento efectivo do PIB que, em média – se ignorado o colapso de 2007-2008 -, tem sido positivo, embora sombrio, na maioria dos anos. A profundidade da queda do COVID-19 ainda está para ser vista.

* Texto original publicado em VoxEurop/EDJNet (CC BY 4.0). Foto de Victoria Pickering/Flickr (CC BY-NC-ND 2.0)

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