A pandemiAR sem sucesso

A actual pandemia do coronavírus parecia ter um enorme potencial para as aplicações de realidade aumentada (AR) ou virtual (VR) se imporem, quando as pessoas estavam confinadas e assim se podiam iludir de andar em espaços mais abertos, mas esse potencial não se concretizou.

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Quando a Ikea confirmou a aquisição da Geomagical Labs, falou-se também do interesse da Apple na NextVR, empresa de streaming de eventos ao vivo em AR/VR, por um valor de cerca de 100 milhões de dólares. A aquisição concretizou-se na semana passada e até o valor foi confirmado.

Nada de novo – excepto porque comprou a Apple uma empresa como a NextVR que apenas indica no seu site que “caminha numa nova direcção”.

A NextVR é uma empresa de conteúdos, não de hardware, afirma a MacWorld, pelo que não é de esperar novos óculos de VR da Apple mas antes o continuado foco na transmissão de eventos de entretenimento e desportivos (NBA, Fox Sports ou Wimbledon, por exemplo).

Parece não haver razão para a Apple adquirir a NextVR, tanto mais que os 100 milhões de dólares pagos nem sequer cobrem os mais de 115 milhões de financiamento que a empresa obteve.

Uma explicação passa por quatro vertentes: pessoas, negócios, tecnologia e propriedade intelectual. Se todas as outras categorias estão asseguradas sem grandes problemas, parece ser nas patentes que reside o grande interesse da aquisição pela Apple. A NextVR tem 38 patentes relacionadas com interface do utilizador, configuração das câmaras, optimização da compressão e uma mais interessante de codificação de texturas.

As empresas parecem ter perdido a oportunidade de transmitir eventos em período de confinamento, mas estão preparadas para outros momentos em que esta dinâmica possa funcionar.

O mesmo pode ser dito da aquisição da 6D.ai, empresa de mapeamento espacial em 3D, no final de Março pela Niantic, conhecida pelos Pokémon. O objectivo, diz esta empresa, é o desenvolvimento de um mapa do mundo em 3D a uma escala com novas experiências em AR – populado por Pokémons virtuais?

Como sintetiza a Axios, a VR não consegue generalizar-se apesar dos enormes investimentos. Em plena mutação digital, as marcas de beleza ou os designers de interiores usam a AR em plataformas sociais, mas já o faziam antes da pandemia.

Sendo uma “experiência desconfortável” e cara, com elevadas expectativas mas uma fraca experiência visual, mais facilmente se vão procurar experiências destas no Zoom, Slack e outras plataformas sociais do que em óculos de VR.

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