Nas falhas de segurança das telecomunicações, a culpa é da electricidade e do clima

As falhas no fornecimento de energia eléctrica ou de outros bens ou serviços por entidades externas às operadoras de telecomunicações foram nos últimos cinco anos a principal causa nas falhas de segurança.

Em 2019, a Vodafone foi a operadora com menos incidentes de segurança – teve apenas três -, seguindo-se a Altice e a NOS com seis notificações à Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom).

Se em 2018 apenas foram afectados 2,4 milhões de assinantes/acessos, no ano passado mais de 12,3 milhões de assinantes ou acessos tiveram algum impacto com estes incidentes, com mais de 4,6 milhões em Outubro, 3 milhões em Março e quase 2,9 milhões em Maio. A duração média dos incidentes foi de 24 horas, perante as 31 horas registadas em 2018.

Os dados constam do “Relatório de violações de segurança ou perdas de integridade (2019)“, da Anacom mas tendo por base as notificações enviadas pelas operadoras.

No ano passado ocorreram 80 incidentes de segurança, perante os 113 registados em 2018. Antes, registaram-se 100 incidentes em 2015, 105 em 2016 e 192 em 2017.

“Na realidade em 2019, os valores registados em Março, Maio e Outubro, foram devidos a incidentes de segurança cujo impacto teve dimensões a nível nacional”, nomeadamente os mais graves em Março por falha de hardware/software, em Maio por erro humano e em Outubro por falha de hardware/software e ataque malicioso.

Se os incidentes de segurança tiveram o maior impacto em assinantes/acessos afectados (cerca de 8 milhões) por erro humano (cerca de 3 milhões) em 2019, no ano anterior foram de apenas 1 milhão ou 432 mil, respectivamente.

O número de incidentes mensais registado pela Anacom para cada ano regista 15 incidentes em Outubro de 2015, duas dezenas em Agosto do ano seguinte, 51 em Outubro de 2017, uma descida para 23 em Março de 2018, que prosseguiu com os 13 em Janeiro do ano passado.

“As falhas no fornecimento de bens ou serviços por entidade externa foram a causa raiz dominante” no quinquénio, refere a Anacom, notando que se trataram “de falhas no fornecimento de energia eléctrica, algumas das quais foram, por sua vez, consequências de fenómenos climáticos adversos”.

No total dos cinco anos, as principais causas “foram, em ordem decrescente: falha no fornecimento de bens ou serviços por entidade externa, nomeadamente falhas no fornecimento de energia eléctrica (42%, correspondente a 247 incidentes de segurança com esta causa raiz de um total de 590 de incidentes de segurança notificados durante este período), falha de hardware/software (24%, 144 de 590) e acidente/desastre natural, nomeadamente intempéries ou incêndios florestais (23%, 138 de 590)”.

Em termos de serviços afectados no ano passado, os principais foram a telefonia fixa (75%), a Internet fixa (25%) e a telefonia móvel, com 68%. A percentagem é superior a 100% porque “a maioria das notificações teve impacto em dois ou mais serviços”.

A Anacom reportou oito incidentes de segurança à agência europeia de segurança ENISA, quando em 2018 o fez para cinco casos.

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