Atenção: foi apenas um exercício…

Os primeiros sinais da epidemia que viria a tornar-se pandemia por COVID-19 ocorreu em meados de Novembro de 2019, na China.

Precisamente um mês antes, o Johns Hopkins Center for Health Security realizou um exercício denominado Event 201.

Nele, emitiu uma série de recomendações (uma “call to action“) onde alertava para as potenciais consequências económicas e sociais de uma grave pandemia.

Perante um conjunto detectado de vulnerabilidades e para evitar o seu impacto, global, seria necessário uma colaboração entre governos, organizações internacionais e o sector privado.

O Event 201, organizado pelo referido Center for Health Security, envolveu ainda o World Economic Forum e a Bill & Melinda Gates Foundation. Entre outras teorias da conspiração, Bill Gates é agora apontado como apoiante do coronavírus, uma acusação alegadamente feita pelo ministro da Defesa russo.

Do evento, resultaram as seguintes recomendações:
– Governos, organizações internacionais e empresas devem planear agora como as capacidades corporativas essenciais serão utilizadas durante uma pandemia de larga escala.
– A indústria, os governos nacionais e as organizações internacionais devem trabalhar juntos para melhorar os fornecimentos internacionais de contramedidas médicas (MCMs) para permitir uma distribuição rápida e equitativa durante uma pandemia grave.
– Países, organizações internacionais e empresas globais de transporte devem trabalhar juntos para manterem as viagens e o comércio durante as pandemias graves.
– Os governos devem fornecer mais recursos e apoio ao desenvolvimento e fabricação de surtos de vacinas, terapêuticas e diagnósticos que serão necessários durante uma pandemia grave.
– Os negócios globais devem reconhecer o ónus económico das pandemias e lutar por uma preparação mais forte.
– As organizações internacionais devem ter como prioridade a redução dos impactos económicos das epidemias e pandemias.
– Os governos e o sector privado devem atribuir uma prioridade maior ao desenvolvimento de métodos para combater a desinformação antes da próxima resposta à pandemia.
– A realização dos objectivos acima referidos exigirá uma colaboração entre governos, organizações internacionais e negócios globais.

A lista de recomendações pode fazer sentido perante o que se está a passar mas a quase coincidência de datas levou à necessidade de emitir um desmentido sobre o evento, em Janeiro passado.

O Center for Health Security foi questionado sobre alegações se o Event 201 previa a pandemia na China. A resposta era taxativa, relativamente ao exercício: “modelámos uma pandemia fictícia de coronavírus mas declarámos explicitamente que não era uma previsão. Em vez disso, o exercício serviu para destacar os desafios de preparação e resposta que provavelmente surgiriam numa pandemia muito grave. Não estávamos a prever que o surto do nCoV-2019 matará 65 milhões de pessoas. Embora o nosso exercício incluísse um novo coronavírus simulado, os ‘inputs’ usados para modelar o impacto potencial desse vírus fictício não são semelhantes ao nCoV-2019”.

Em resumo, não se tratou de uma previsão.

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