Impactos pós-COVID-19 no sector dos media

O sector da comunicação social já estava receoso da sua conjuntura económica mas, com a actual pandemia, esse estado transformou-se em pânico.

Em termos internacionais, o presidente do Expedia Group revelou que este ano vão suspender ou mesmo cancelar as campanhas publicitárias. Barry Diller gere marcas como a Expedia, Hotels.com ou Trivago.

“Na Expedia, por exemplo, gastamos cinco mil milhões de dólares por ano em publicidade. Não iremos gastar provavelmente mil milhões este ano”, afirmou.

Em Portugal, as críticas visaram o pacote de medidas para a comunicação social anunciado pelo Governo.

São “15 milhões de euros na aquisição antecipada de espaço para publicidade institucional através de televisão e rádio, em programas generalistas e temáticos informativos, e através de publicações periódicas de informação geral”.

A verba triplica o valor previsto no Orçamento de Estado para publicidade institucional este ano mas as campanhas podem ser utilizadas também em 2021.

Criticando a forma como as empresas entregam a sua publicidade às plataformas online, Luís Santana, da Cofina Media, ameaçou ainda o Governo porque “até agora nunca se viu um repórter do Google ou do Facebook, ou mesmo do Instagram, nas conferências de imprensa da Direcção-Geral de Saúde, ou a cobrir as dezenas de acções políticas do Primeiro-Ministro ou do Presidente da República. Será necessário os media deixarem de cobrir as suas actividades políticas para se darem conta de que palavras ocas, sem substância, não pagam salários”?

Por seu lado, a Plataforma dos Media Privados comunicou que “o valor avançado pelo Governo fica muito aquém do justo e necessário, pouco ou nada acrescentando às verbas tradicionalmente inscritas em sede orçamental para os mesmos fins”.

O grande problema actual – ou, melhor, desde há umas poucas décadas – é que o tradicional está a definhar, financeiramente falando, mas muitos gestores dos orgãos de comunicação social recusam-se a aceitar esse cenário.

“Parece evidente que o mundo no seu conjunto mudará em muitos aspectos e que a digitalização ajudará nesta transformação. Tendências que já percebíamos simplesmente se aceleraram. O mundo pós-COVID-19 será mais digital e menos físico, irão repensar-se as organizações e os modelos de negócio”, constata Pepe Cerezo, especialista espanhol em estratégia e desenvolvimento de negócios digitais da Evoca.

O autor do recente relatório “El impacto de la pandemia en la prensa” aponta como “a pandemia está a ter consequências imediatas e, sem dúvida, haverá outras a médio e longo prazo mais difíceis de prever”.

Pepe Cerezo

No primeiro caso, destaca-se
– o aumento do tráfego digital,
– a quebra da publicidade,
– o cancelamento de eventos,
– as interrupções na venda e entregas ao domicílio dos meios impressos,
– o impulso dos novos produtos digitais,
– o aumento do teletrabalho e flexibilidade laboral, e
– a recessão económica com os correspondentes [programas de apoio do Governo] ERTES e ERES.

A médio e longo prazo, antevê
– a consolidação dos ambientes digitais perante os físicos (Web vs papel, presencial vs online, streaming vs linear, etc.),
– profundas mudanças organizativas (flexibilidade, novos modelos de relação contratual, etc.),
– modelos de negócio orientados para o retorno pelo leitor e pelo B2B, e
– concentração sectorial com mais fusões e aquisições.

Em termos conclusivos, o relatório detalha o impulso da transformação digital, a melhoria de processos e organizações mais flexíveis, o apogeu das ferramentas de gestão de projecto e impulso do gestor de produto, a diversificação do modelo de negócio, o “reader revenue” (ou oportunidade para os meios apostarem nas receitas directas com os leitores), a revisão do modelo publicitário, os modelos B2B para outras empresas e, por fim, a concentração do sector: “inevitavelmente, como sucedeu com outros sectores como o da música ou o audiovisual, após a pandemia ocorrerá previsivelmente um grande número de operações empresariais, encerramentos, compras e aquisições, que modificarão o actual ecosistema informativo tanto a nível nacional como internacional”.

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