Telemóveis acabaram com a guerra entre gangs?

Os telemóveis podem ter contribuído para acabar com as guerras entre gangs nos EUA. A explicação parece simples: com estes equipamentos, deixou de existir a necessidade de ocupar fisicamente um território.

A teoria foi defendida por Lena Edlund, economista da norte-americana Columbia University, e Cecília Machado, da Fundação Getúlio Vargas (Brasil).

Em “It’s the Phone, Stupid: Mobiles and Murder“, um “working paper” publicado no ano passado no National Bureau of Economic Research, as investigadoras calculam que a difusão de telemóveis poderá ter contribuído para o declínio dos homícidios na década finda em 2000.

“Em comparação com 1990, os homicídios em 2000 diminuíram em cerca de 10 mil e cálculos directos sugerem que a disseminação dos telemóveis pode ser responsável por 1.900 – 2.900 desse declínio”. Esta disseminação e queda nos números dos homicídios foi mais do que uma coincidência, argumentam no estudo que analisou o fenómeno entre 1970 e 2009.

“Os telemóveis podem diminuir o tráfico nas ruas, prejudicando assim os lucros dos gangs de rua, entidades conhecidas por se envolverem em crimes violentos”, e os “efeitos estiveram concentrados nos condados urbanos, entre homens negros ou hispânicos e com homicídios mais associados a gangs/droga”.

A referida década foi também quando os telemóveis se disseminaram, por melhorias no produto e preços mais baixos, fazendo o número de assinantes destes serviços passar de cinco milhões para 100 milhões.

Esta generalização do equipamento reduziu o número de homicídios ao diminuir o papel da venda na rua de drogas ilícitas. Antes, parte dessas transacções tinha de ser feita com interacção física, na rua, debaixo do radar das autoridades ou de vizinhos. Os telemóveis dinamizaram a venda sem interacção física, coordenação em tempo real e um maior nível de privacidade: neste âmbito, ofereceram algo completamente novo e que era a ligação com uma pessoa em vez de com um lugar.

“Não é que as pessoas não vendam ou consumam drogas”, explicou Edlund à The Atlantic, “mas a relação entre isso e a violência é diferente”

A revista nota que um outro estudo de Erin Orrick e Alex Piquero estabeleceu uma relação de diminuição entre crimes contra a propriedade e a posse de telemóveis.

Na realidade esta interrelação entre telemóveis e criminalidade pode ser forçada. Em 2018, Maria Tcherni-Buzzeo, da University of New Haven, divulgou um meta-estudo em que detectou 24 diferentes explicações para a queda da criminalidade na década de 1990.

* Foto: Stratman²/Flickr (CC BY-NC-ND 2.0)

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