O potencial da IoT para pessoas e meio ambiente

A transformação digital afecta fundamentalmente a nossa economia, sociedade e meio ambiente – tanto positiva quanto negativamente. Dados os monumentais desafios como as mudanças climáticas e a pobreza global, é essencial que o sector público e o privado encontrem uma maneira de aproveitar as novas tecnologias como a IoT [“Internet of Things” ou Internet das Coisas] para fins económicos, mas também ambientais e sociais.

Nesse contexto, os Sustainable Development Goals (SDGs) das Nações Unidas fornecem uma visão universalmente aceite e metas concretas, para as quais a contribuição de novas tecnologias para o desenvolvimento sustentável pode ser avaliada. A ideia de sustentabilidade a longo prazo também é incorporada em visões emergentes, como a incorporada no conceito Society 5.0, originado no Japão e agora também apoiada ao nível do G20.

Este estudo investiga essa contribuição e faz uma pergunta essencial: o que podem a transformação digital e a IoT alcançar para a Agenda 2030? Explicam-se os diferentes componentes do ecossistema da IoT: os sensores recolhem dados, por exemplo sobre calor e humidade; as antenas transmitem esses dados para um sistema maior, por exemplo um sistema global de monitorização climática; actuadores podem executar comandos, por exemplo irrigação automatizada quando um sistema de irrigação IoT registar baixos níveis de humidade.

A IoT integra essas “coisas” numa rede mais ampla e combina-se com outras tecnologias, como serviços em cloud ou inteligência artificial (IA). Os sistemas de IoT só podem ser entendidos adequadamente em relação a outras tecnologias-chave e que mais investigação precisa de ser feita para explorar o potencial positivo de diferentes arquitecturas da IoT.

Resumem-se ainda os principais casos de uso da IoT em quatro sectores seleccionados: manufacturação, saúde, energia e cidades inteligentes/mobilidade. Na primeira, a IoT pode reduzir custos e aumentar a eficiência através da manutenção predictiva; na área da saúde, a IoT médica (mIoT) pode possibilitar a assistência médica ao domicílio, a saúde móvel e tornar os pacientes mais independentes das reuniões pessoais com a equipa médica; no sector energético, a IoT pode ajudar a integrar fontes de energia sustentáveis ​​na rede eléctrica e reduzir o desperdício de energia por meio de uma melhor gestão de carga; nas cidades inteligentes e mobilidade, a IoT pode, por exemplo, aumentar a conveniência com sistemas de tráfego melhorados, reduzir o consumo de energia com uma melhor gestão da iluminação e, eventualmente, revolucionar o transporte com veículos autónomos. Esses sectores representam a maior quota de mercado dos projectos de IoT (fabricação e cidades inteligentes/mobilidade) ou são de elevada importância social (saúde) ou ambiental (energia). Os casos de uso mostram que a IoT pode ser usada para diversas metas económicas, sociais e ambientais.

Apesar do seu potencial, o mercado de IoT ainda é relativamente pequeno (mas em crescimento) e abrandado por questões de complexidade, interoperabilidade, custo, privacidade e segurança. Além disso, devem ser consideradas as consequências negativas como um alto consumo energético, lixo electrónico, perda potencial de empregos por meio da automação e concentração do mercado. Apesar do elevado potencial da IoT, os principais factores para a adopção da IoT são muitas vezes a economia de custos e o aumento da eficiência, enquanto o seu uso explícito para objectivos ambientais e sociais permanece subdesenvolvido em mercados competitivos, com incentivos insuficientes para investimentos sustentáveis.

Nesse contexto, o papel das políticas públicas e do investimento sustentável será essencial para garantir que as soluções de IoT contribuem para os SDGs no futuro próximo. Existem desenvolvimentos recentes de políticas na UE, variando de diferentes planos de investimento, a nova estratégia de dados, a estrutura de políticas para a IA e a tentativa de integrar os SDGs na política da UE, financiamento sustentável e o Green Deal europeu. Essas iniciativas devem direccionar investimentos públicos e privados para os casos de uso mais sustentáveis da IoT e desincentivar os danosos.

Na esperança de apoiar a procura pelos casos de uso mais sustentáveis, propõe-se uma abordagem em quatro etapas para privilegiar projectos de IoT de elevado potencial e medir o seu impacto nos SDGs :
(1) usar uma abordagem de “SDG-first” e fazer três questões principais para identificar os projectos de IoT com maior contribuição potencial para os SDGs;
(2) após um projecto de IoT de alto potencial ter sido seleccionado, escolher os objectivos dos SDGs relacionados com o projecto e traduzi-los em KPIs [Key Performance Indicators] mensuráveis;
(3) medir e monitorizar o impacto do projecto de IoT;
(4) avaliar o projecto e comunicar resultados.

Encorajam-se as organizações públicas e privadas a usar abordagens de medição de impacto semelhantes e a comunicar de forma transparente os resultados para ajudar outras pessoas a encontrar as variantes mais impactantes das novas tecnologias como a IoT.

Em conclusão, este estudo fornece uma mistura de medidas políticas que podem ajudar a libertar o potencial da IoT para o desenvolvimento sustentável. Primeiro, os investimentos públicos podem apoiar projcetos de IoT mais sustentáveis, que o mercado normalmente negligenciaria, estabelecendo incentivos económicos positivos. Esses investimentos devem ser orientados por uma abordagem “SDG-first” e focarem-se em casos de utilização de elevado impacto, por exemplo, vinculando a sustentabilidade aos critérios de atribuição de financiamento do Horizon Europe.

Em segundo, os incentivos económicos negativos devem ser usados ​​para reduzir as consequências negativas. As revisões planeadas da Directiva do Sistema de Comércio de Emissões (ETS) e da Directiva Tributação de Energia, por exemplo, oferecem uma oportunidade para colocar um preço mais alto no consumo de energia.

Terceiro, uma regulamentação favorável à inovação pode aumentar a transparência e ajudar a reduzir impactos negativos.

Uma revisão da Diretiva de Reporting Não-Financeiro pode capacitar investidores e grupos de consumidores a examinarem os impactos não financeiros das empresas, e a reforma planeada dos resíduos deve ser usada para enfrentar o crescente problema do lixo electrónico.

Se for criado o ambiente político correcto, o mercado poderá produzir soluções de IoT economicamente viáveis ​​e que contribuam para as metas sociais e ambientais. A IoT tem um potencial tremendo e pode ser parte integrante de uma transformação digital que gera crescimento e funciona para as pessoas e para o meio ambiente. Os sectores público e privado precisam de trabalhar em conjunto para tornar isso numa realidade.

Adaptado do sumário executivo do relatório “IoT 4 SDGs – What can the Digital Transformation and IoT achieve for Agenda 2030?“, elaborado por Andrea Renda e Moritz Laurer.

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