A Internet aguenta tanto teletrabalho? (em actualização)

Portugal, como outros países, aderiu ao teletrabalho, da Administração Pública ao sector privado. A infra-estrutura de comunicações parece estar pronta para uma tal pressão mas algumas questões técnicas sobre a medida só vão ser respondidas nos próximos dias, naturalmente.

Na segunda-feira, dia de migração para esta solução laboral, a Altice Portugal garantiu não ter registo “de qualquer situação crítica que esteja a colocar em causa o fornecimento pleno de comunicações”, enquanto “o tráfego de dados móveis não regista um crescimento tão assinalável” como ocorria na rede fixa.

Nalguns países, o pico de utilização da Internet está a ocorrer às 11h30 entre segunda e sexta-feira. Em Itália, desde a passada terça-feira e dia da entrada em vigor da quarentena no país, o tráfego online cresceu 30%.

A rede não tem sofrido com esta sobrecarga, assegura Matthew Prince, do fornecedor de infra-estrutura Cloudflare. Em Itália, “não vemos qualquer deterioração do serviço nos ISPs italianos. E é um país inteiro que está em quarentena”.

O facto de serviços de streaming de vídeo como o YouTube ou o Netflix entregarem uma maior quantidade de dados sem que os seus clientes tenham qualquer degradação do serviço é dada como uma das principais razões para a situação positiva das redes. “Num mundo antes do Netflix e do streaming de video, teria sido diferente”, considera Roger Entner, analista da Recon Analytics.

Os EUA também parecem preparados para esta procura mas apenas se não houver demasiada procura por serviços de videoconferência em simultâneo no mesmo local.

Na Europa, a manhã desta segunda-feira foi marcada pela quebra no serviço dos Microsoft Teams, durante mais de duas horas. O problema foi mais sentido em organizações como uma escola holandesa que tinha recomendado aos seus estudantes para se ligarem por este pacote de comunicações e chat.

Em França, também para garantir que pessoas pouco habituadas a terem de resolver problemas informáticos nos seus equipamentos possam ter acompanhamento técnico, o governo aprovou um conjunto de medidas incluindo o encerramento de muitas lojas até 15 de Abril próximo, com excepção de algumas como as de comercialização especializada e de reparação técnica de equipamentos informáticos e de telecomunicações.

Esta é uma questão sensível nomeadamente na resolução de problemas técnicos derivados da segurança informática mas também com o trabalho à distância de alguns técnicos de segurança. “As organizações estão a perceber que o trabalho a partir de casa será difícil de executar”, nota Joe Slowik, da empresa de segurança Dragos.

[act.: COVID-19 Impact on the Global Telecommunications Industry & on the Submarine Cable Industry

A 30 de março de 2020, o Organismo de Reguladores Europeus das Comunicações Eletrónicas (BEREC) divulgou que a análise dos dados nos países da União Europeia, que reportam a 24 de março de 2020, mostram que o tráfego nas redes fixas e móveis aumentou significativamente durante a crise do COVID-19, mas não ocorreram grandes congestionamentos.

The Internet Is Breaking a Little From the Coronavirus: Internet speeds have been declining in various coronavirus hot spots around the world as broadband providers scramble to keep up with sudden spikes in traffic.

Vodafone reports 50% rise in internet use as more people work from home: It did not specify which countries have had the biggest spikes in data usage but it is likely to include Spain, Italy and France, where government shutdowns have kept the public indoors for an extended period.

EU warns of broadband strain as millions work from home: Brussels tells streaming companies to limit services as Facebook says managing traffic is a “challenge”. (…) A Netflix spokesperson acknowledged the potential issue but pointed to the existing tools it already provides to internet service providers, which allow them to store its library closer to customers, thereby easing some of the burden on the internet’s backbone.

A snapshot of the impact of COVID-19 on Internet traffic levels in Europe: The COVID-19 situation is evolving quite fast but there is evidence that Internet exchange points are seeing an increase of traffic due to changes in normal behaviour due to conditions being imposed on us, such as social isolation. Network service providers and Internet exchange operators are actively allocating additional capacity to ensure that the increased demand is met.

Nokia: Network traffic insights in the time of COVID-19(March 23-29 update): We continue to see – especially in the US – the dramatic growth in conferencing applications, especially Zoom, which has experienced over 700% of growth]

O assunto é abordado num conjunto de documentos da Cybersecurity & Infrastructure Security Agency (CISA), nomeadamente no que se refere ao “Risk Management for Novel Coronavirus” da CISA.

https://assets.documentcloud.org/documents/6798491/CISA-Insights-Risk-Management-for-Novel.pdf

[act. em Portugal: Tráfego de comunicações eletrónicas aumenta em cerca de 50%: O tráfego de comunicações eletrónicas tem estado a aumentar em virtude da adoção de medidas de proteção de contágio de COVID-19, cerca de 47% no caso do tráfego de voz e 52% no caso dos dados. [R]egistaram-se alterações significativas nos padrões de utilização dos serviços de comunicações eletrónicas:
– significativo crescimento do tráfego de voz fixa (+94%) que contrasta com a redução verificada em anos anteriores (em 2019 este tipo de tráfego diminuiu 15%)
– crescimento do tráfego de banda larga fixa (+53,7%), que estava em desaceleração (cresceu 29% em 2019). Estima-se assim que o tráfego médio por acesso fixo continue a aumentar (era de 131 GB/mês em 2019) e se afaste ainda mais do tráfego médio por acesso móvel (4 GB/mês em 2019), visto que o tráfego de dados móvel está a crescer a taxas inferiores ao tráfego fixo
– Nos reportes efetuados pelos operadores não foram, até agora, referidas situações de congestionamentos relevantes, e a ANACOM não tem registo de situações com impacto significativo junto dos utilizadores. Esta situação está em linha com o observado nos outros países da União Europeia.

Consumo de internet dispara com teletrabalho. Operadoras estão a reforçar redes: “Face ao cenário atual da saúde pública, que impôs um conjunto de medidas de isolamento e teletrabalho, a Altice Portugal tem vindo a registar um aumento muito significativo de tráfego na rede fixa de internet e em especial na utilização de OTT”, ou seja, serviços “over-the-top” como o o Netflix, detalhou fonte oficial da Meo ao Negócios.
“Durante os últimos dias registaram-se subidas expectáveis de tráfego nas redes, resultantes da situação excecional que vivemos, mas não se verificaram quaisquer anomalias ou interrupções no serviço”, garantiu a operadora liderada por Mário Vaz.
A Nos “registou, naturalmente, um aumento no consumo de tráfego”.
Tendo sido ontem o primeiro dia oficial de escolas fechadas – e, por essa mesma razão, o primeiro dia com mais pessoas a trabalhar a partir de casa – os tráfegos desta segunda-feira serão um ponto de partida para perceber o padrão de consumo de comunicações dos portugueses nas próximas semanas.

Operadoras unem-se para minimizar impactos da covid-19 nas telecomunicações: garantem que as redes já estão dimensionadas para suportar as horas de pico e preparadas para responder a um acréscimo de tráfego.

Consumo de internet cresceu até 70% em Portugal: O consumo de serviços de streaming, como o Netflix, cresceu 45% na Meo e 25% na Vodafone. Já o tráfego de internet fixa cresceu 35% na Meo, 67% na Vodafone e 70% na Nos.]

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