Banda larga aumenta número de empregos

Um quinto da taxa de desemprego num país como a Noruega pode ser eliminado através da disseminação da banda larga. Um estudo consegue estabelecer essa relação mas não existe algo semelhante para Portugal.

Nas últimas décadas, vários países expandiram as suas redes de banda larga mas o verdadeiro impacto da medida em termos económicos ou sociais nem sempre foi analisado. A situação na Noruega foi uma excepção e um grupo de investigadores publicou recentemente os resultados do trabalho em “How Broadband Internet Affects Labor Market Matching“.

Este constatou como desde o final dos anos 90 o país investiu na infra-estrutura – através do operador estatal Telenor – e como, desde 2003, a banda larga foi dinamizada com os objectivos de assegurar que qualquer lar tivesse acesso a esta oferta com “um preço razoável e uniforme” e que o sector público a adoptasse “rapidamente”, nomeadamente ao nível da gestão local até 2005.

O trabalho dos investigadores nota como a expansão da banda larga baixou a duração média das ofertas de emprego a serem preenchidas, bem como aumentou o valor dos salários e levou a relações laborais mais estáveis.

As estimativas apontam para que pelo menos um quinto da taxa oficial de desemprego tenha sido preenchida por estas razões e que, sem elas, o desemprego tivesse sido mais elevado nos recentes anos de crise.

E Portugal?
Uma análise simplista ao cenário em Portugal não permite estabelecer uma relação entre os dois factores estudados na Noruega. No entanto, é visível que a introdução da banda larga ocorre praticamente em simultâneo com a queda da taxa de desemprego.

Usando a cronologia de estudos da UE, a estratégia nacional para a banda larga – inserida numa Agenda Portugal Digital (APD) – foi adoptada em Dezembro de 2012 com objectivos estabelecidos até 2020. O acesso a nível nacional em banda larga ocorreu em Outubro de 2013. Com a excepção da Madeira, 50% da população rural tinha acessos a 40 Mbps em 2014. No ano seguinte, a APD incorporou novos objectivos, sendo novamente reformulada com o programa Portugal Digital.

Nas estatísticas europeias, nomeadamente no Digital Economy and Society Index (DESI) relativamente a 2019, Portugal surge abaixo dos 60% nas várias opções de banda larga, embora relativamente aos acessos fixos em banda larga estivesse acima dos 93% em Junho de 2018 (a média europeia era de 96,7%).

Segundo a ANACOM, 80,6% dos clientes residenciais dispunha de banda larga fixa no final de 2019. Essa taxa de penetração de acesso acessos para clientes residenciais e não residenciais ficava nos 38,6%.

Perante estes dados (sintetizados no gráfico acima) e sabendo-se que a taxa de desemprego em Portugal registou 15,5% em 2012, subiu no ano seguinte para os 16,2% e tem desde então uma série de decréscimo (13,9% em 2014, 12,4%, 11,1%, 8,9% e 7%) até aos 6,5% de 2019, parece haver uma correlação mas faltam dados mais aprofundados para validar essa suposição.

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