Se entrar em pânico, não vá às compras

Os anglo-saxões chamam-lhe compra por pânico (“panic buying“). A maior parte dos portugueses chamam-lhe de tudo…

Durante a gripe espanhola, em 1918, o açambarcamento ocorreu com o VapoRub da Vicks, cujas vendas passaram nesse ano de 900 mil dólares para 2,9 milhões.

Na crise dos mísseis entre os EUA e Cuba em 1962 foi a comida enlatada e água engarrafada, bem como cobertores e kits de primeira ajuda.

O COVID-19 ficará para a história com a compra desmesurada de pacotes de papel higiénico [act.: até o primeiro-ministro holandês teve de explicar à nação que havia capacidade de fornecimento para uma década…]. Não foi só este bem a ser consumido em exagero. De preservativos a garrafas de champanhe, “as pessoas esvaziaram prateleiras [de lojas] enquanto aumentavam os receios sobre a disseminação do coronavirus”.

Esta ansiedade é resultado de “uma ameaça psicológica à percepção de cultura de abundância” dos EUA. Os americanos “não estão habituados a verem prateleiras vazias“.

Mas isso só sucede desde o século XX porque “as populações têm mais rendimento disponível; um certo grau de conforto entre essas populações (…) e ferramentas de comunicação em massa pelo que as pessoas sabem de um desastre prestes a ocorrer com antecedência”.

A exagerada compra por uns deixa outros, alguns mais necessitados, sem bens essenciais. Por exemplo, as vendas de arroz nos EUA aumentaram 50% e 40% na comercialização de carne enlatada.

Em Inglaterra, a autoridade local de concorrência alertou os retalhistas para não inflacionarem os preços. Governo e lojas declaram ser desnecessário este tipo de aquisições “mas claramente isto não está a funcionar“.

Fala-se da necessidade de intervenção estatal na limitação inteligente das compras quando se repetem as imagens de compras em excesso em diferentes locais do mundo.

Este pânico “não ajuda ninguém” mas são “respostas extremadas” de “pessoas que sentem a sua sobrevivência ameaçada e precisam de fazer algo para sentirem que dominam” a situação, explica Karestan Koenen, professor de epidemiologia psiquiátrica na Harvard T.H. Chan School of Public Health.

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