Menos é mais (na imprensa digital)

2019 foi o ano do digital na imprensa. O principal exemplo – mas não único – foi o The New York Times a conseguir mais de 800 milhões de dólares na facturação do negócio digital, a acrescentar um milhão de assinantes digitais para terminar com um conjunto total de 5,2 milhões de assinantes, revelou o NiemanLab.

O que os editores estão a descobrir é que podem aumentar as audiências (e o número de assinantes) se produzirem menos conteúdos. Nos EUA, na Grã-Bretanha ou em França, o fenómeno é semelhante.

No ano passado, o The Guardian cortou um terço das notícias que publicava durante cada semana após ter detectado que “ninguém estava a ler uma grande quantidade de jornalismo produzido”. O tráfego para o site aumentou e passou dos 23,4 milhões de utilizadores únicos mensais registados no Reino Unido em 2018 para os 25 milhões no ano passado.

Já o The Times of London publicou menos 15% de notícias no Verão passado, levando os leitores a ficarem 25% mais tempo a ler as notícias na sua app para smartphones do que no mesmo período de 2018, crescendo para uma média diária de 28 minutos.

Em França, o Le Monde eliminou entre 2017 e 2019 cerca de 25% dos artigos publicados, aumentando o número de jornalistas para 500, fazendo crescer a audiência online em 11%, aumentando no ano passado para 9.1 milhões de utilizadores únicos mensais, acima dos 8,4 milhões registados em Dezembro de 2018.

Nos EUA, entre 2017 e 2019, o The Post and Courier conseguiu mais 250% de novos assinantes digitais, passando de 1.700 para 6.000, e diminuindo a média diária de 50 a 65 notícias para cerca de 30 mais aprofundadas.

“Se um meio digital publica 100, 500 ou 1,000 artigos não faz diferença” para o leitor, explica o analista de media Thomas Baekdal sobre esta tendência. “É a qualidade e o interesse dos artigos que interessa”.

E quando menos não é mais?
Perda na publicidade digital nos media, uso reduzido de tecnologia pelas empresas, onde a escassez de recursos humanos femininos no topo provoca um afunilamento de visões, são tendências que os media ainda não descartaram.

Sobre o impacto do digital na publicidade, desde 2005 que a imprensa norte-americana perdeu mais de 35 mil milhões de dólares em publicidade, segundo o relatório “Losing the News: The Decimation of Local Journalism and the Search for Solutions“, do PEN America.

Desde essa altura, quase metade dos jornalistas saiu das redacções, tendo fechado cerca de 1.800 títulos.

Outros dados preocupantes é que mais de metade dos jornais nos EUA mudaram de dono na última década, 25 empresas controlam dois terços dos diários (dados de 2018) e apenas cinco detinha mais de um terço das 1.400 estações locais de TV em 2014.

O analista de media Ken Doctor contabiliza ainda que cerca de 20 empresas jornalísticas entraram em bancarrota desde a última crise económica, por volta de 2010.

O digital introduziu-se nas redacções mas se o email (e o correio tradicional) ainda são as principais fontes dos jornalistas de investigação solicitarem a colaboração pública, serviços cifrados como o Signal e o SecureDrop são menos comuns. Metade dos 80 meios de comunicação analisados tem um endereço de email para estes casos mas só 45% usa os referidos serviços digitais.

Por fim, é necessário olhar para a posição das mulheres nas empresas do sector dos media e do entretenimento. Elas estão bem representadas na força de trabalho, são promovidas mais rapidamente (até mais do que os homens) excepto quando se trata do acesso a lugares de topo, em que isso é mais difícil.

[act.: 5 digital subscription trends for publishers, in charts: we look at the lie of the land and determine the most important strategic questions that publishers – large and small – need to address.

Cuando los formadores de opinión son siempre los mismos: las columnas de los periódicos y los programas de entrevistas invitan a los mismos líderes de opinión una y otra vez, y en su mayoría se trata de hombres blancos de mediana edad.

 

 

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