EUA e Alemanha espiaram mensagens cifradas em Portugal

Através da empresa suíça Crypto AG, a CIA e os serviços secretos alemães Bundesnachrichtendienst (BND) terão espiado as mensagens cifradas transmitidas em Portugal usando os seus sistemas.

Portugal fez parte dos 62 clientes da empresa suíça que espiou diferentes países, incluindo o Vaticano, e países membros de organizações como a NATO ou as Nações Unidas, entre os anos 1950 e este século, revelaram o The Washington Post e o canal alemão ZDF.

Nenhum dos clientes sabia que a empresa era detida financeiramente pela CIA numa “parceria classificada” com a espionagem alemã, o que lhes permitia aceder às mensagens cifradas dos seus sistemas criptográficos.

“A empresa suíça lucrou milhões de dólares a vender equipamento a mais de 120 países” até muito recentemente. Foi “o golpe do século”, diz um relatório a que os meios de comunicação tiveram acesso, porque “os governos estrangeiros pagavam bom dinheiro aos EUA e à Alemanha Ocidental pelo privilégio de terem as suas comunicações mais secretas lidas por pelo menos dois (e possivelmente cinco ou seis) governos estrangeiros”.

A União Soviética, a China, a França e outros países europeus não foram clientes da empresa suíça por suspeitas de acções deste tipo. O especialista em cibersegurança Bruce Schneier já em 2004 alertou no seu blogue para este potencial problema. Após as recentes notícias, ele lembra como o assunto era conhecido desde 1995.

A Crypto AG foi encerrada em 2018, sem se conhecerem os seus proprietários por estes usarem as leis do Liechtenstein para controlo da empresa. Esta foi adquirida pela CyOne Security e pelo Crypto International Group, que emitiu um aviso a explicar como a empresa é detida pelo sueco Andreas Linde e que não tem ou teve ligações à CIA ou ao BND.

[act.: Switzerland files criminal complaint over Crypto spying scandal: The Swiss government has filed a criminal complaint over the U.S. Central Intelligence Agency’s alleged use of a cryptography company as a front to spy on various governments’ secret communications, the Swiss attorney general’s office said on Sunday. (…) But pressure is mounting for parliament to launch its own investigation to find out who in Switzerland knew about the scheme.]

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