Seis apostas para a era digital na Europa

Na apresentação do conjunto de comissários europeus, a presidente da Comissão Europeia discursou sobre as próximas tendências tecnológicas que prevê adoptar no seu mandato. Esta parte do discurso de von der Leyen, que é também uma síntese do seu programa, é a seguinte:

“A digitalização está a possibilitar coisas impensáveis até há uma geração atrás.

Comunicar com outros em todo o mundo, acesso à informação, progresso na medicina, protecção ambiental, mobilidade, inclusão: não há futuro sem digitalização. E [a comissária indicada para a pasta da era digital] Margrethe Vestager é quem nos liderará nesse caminho para o futuro.

Automatizaremos o trabalho que é cansativo para os humanos: transportar cargas pesadas, realizar tarefas repetitivas em fábricas ou escritórios.

E isto irá dar-nos tempo. Tempo para o que distingue os seres humanos. Tempo para o que os computadores não podem fazer: empatia e criatividade.

Um robô de assistência pode ajudar a levantar pacientes e a fazer camas e a digitalização pode ajudar nas tarefas administrativas. Isso permitirá que a equipa de enfermagem tenha tempo para fazer o que é realmente importante: conversar com os pacientes, estar lá para eles.

A digitalização vai permitir-nos lidar com recursos de maneira mais eficaz e eficiente, porque poderemos calibrar tudo com precisão: consumo de água, energia, todos os recursos preciosos do nosso planeta.

A digitalização mudará a nossa sociedade, a nossa economia, a nossa administração – de cima a baixo. Já o está a fazer.

Para aproveitar as oportunidades e lidar com os perigos existentes, precisamos de ser capazes de encontrar um equilíbrio inteligente onde o mercado não o consegue. Temos de proteger o nosso bem-estar europeu e os nossos valores europeus. Na era digital, devemos continuar no nosso caminho europeu.

Em termos concretos:
Primeiro, devemos ter o domínio e a propriedade das principais tecnologias na Europa. Isso inclui a computação quântica, inteligência artificial, blockchain e tecnologias críticas dos microprocessadores.

Para o fazer, para acabar com as lacunas que existem agora, devemos agir juntos. Vamos reunir os nossos recursos, o nosso dinheiro, a nossa capacidade de investigação, o nosso conhecimento. E vamos colocar isso em prática.

Fizemos isso, por exemplo, com os supercomputadores. A Europa está actualmente no processo de aquisição de um dos três computadores mais poderosos do mercado mundial. Mas a próxima geração de supercomputadores deve ser construída por nós.

Segundo, a Europa possui todos os cientistas e todas as capacidades industriais de que necessita para ser competitiva nessas áreas. Não vamos parar.

A inovação precisa de cérebros. Mas também precisa de diversidade, precisa de espaço para pensar. Temos tudo isso aqui na Europa. As pessoas querem morar aqui, querem investigar aqui, querem moldar o futuro aqui.

Terceiro, precisamos de uma infraestrutura adequada para o futuro, com normas comuns, redes de gigabits e clouds seguras actuais e nas próximas gerações.

Quarto, a matéria-prima da digitalização são os dados. A cada clique, alimentamos os algoritmos que influenciam o nosso próprio comportamento.

Com o Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados, estabelecemos o padrão para todo o mundo.

Temos que fazer o mesmo com a inteligência artificial. Porque na Europa começamos com o ser humano. Não se trata de impedir o fluxo de dados. Trata-se de criar regras que definem como lidar com os dados de maneira responsável. Para nós, a protecção da identidade digital de uma pessoa é a principal prioridade.

Quinto, também queremos inovação. Hoje, 85% de todos os dados não pessoais nunca são usados. Isso é um desperdício.

Devemos fazer uso do conhecimento que escondem esses dados não utilizados. Devemos estabelecer uma estrutura de referência para permitir que governos e empresas partilhem dados e os agrupem com segurança. Não consigo imaginar alguém mais capaz de desenvolver essa estratégia de dados do que [o comissário designado para o mercado interno] Thierry Breton.

Sexto, a cibersegurança e a digitalização são dois lados da mesma moeda. Por isso a cibersegurança é uma prioridade principal.

Para a competitividade das empresas europeias, precisamos de ter requisitos de segurança rigorosos e uma abordagem europeia unificada. Temos que partilhar o nosso conhecimento dos perigos. Precisamos de uma plataforma comum, precisamos de uma melhor Agência Europeia de Cibersegurança. Essa é a única maneira de fortalecer a confiança na economia conectada e aumentar a resiliência a todos os tipos de perigos.

Podemos fazer tudo isso se agirmos juntos, se o basearmos nos nossos valores europeus. E, ao fazê-lo, estou confiante de que a Europa desempenhará um papel de liderança na era digital”.

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