Quatro secretários de Estado com ligações à Microsoft

O elenco do novo Governo que deve tomar posse este sábado inclui quatro secretários de Estado que tiveram relações com a empresa de tecnologia Microsoft.

A responsável do Turismo, Rita Marques, chegou a consultora sénior na Microsoft Corporation, nos EUA, entre 2006 e 2007.

O nomeado para a Transição Digital, André de Aragão Azevedo, entrou na Microsoft Portugal em 2012 e assumiu o cargo de director executivo de tecnologia da empresa desde 2017 até agora.

Na área da Defesa Nacional, o secretário de Estado Seguro Sanches foi director de “Legal & Corporate Affairs” entre 2005 e 2006.

Finalmente, e transitando do governo anterior, o responsável pela Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo, colaborou no Programa de Formação Líderes Inovadores da empresa.

Riscos tecno-políticos empresariais
Os quatro nomes referidos são aqueles cuja passagem pela multinacional consta do seu currículo oficial. No entanto, em termos políticos, a empresa também conta com elementos do PSD.

Actualmente, Pedro Duarte é “Corporate, External & Legal Affairs Director”. Este ex-secretário de Estado da Juventude foi director da campanha de Marcelo Rebelo de Sousa para as presidenciais e era um dos nomes referido pelo jornal I em 2017 num artigo sobre “O polvo laranja na Microsoft“. O outro era Mauro Xavier, ex-presidente do PSD de Lisboa e director da campanha de Passos Coelho em 2010.

Ambos tinham convidado autarcas do PSD e do PS para viagens à sede da multinacional, perto de Seattle (EUA). Estas visitas eram “organizadas em específico para presidentes de câmara para que a empresa apresente o seu portefólio de serviços para ‘smart cities’. E, depois destas viagens, houve vários casos de autarquias que acabaram a contratar ou a revalidar os serviços da empresa”, referiu o jornal.

É precisamente o temor destas relações que levou o European Data Protection Supervisor (EDPS) a revelar a 21 de Outubro os resultados preliminares de uma investigação lançada há seis meses sobre as relações entre as instituições europeias e o seu uso dos serviços e aplicações da Microsoft.

O EDPS mostra-se preocupado com estas relações e os termos contratuais relativamente à protecção de dados pessoais dos europeus, bem como a oferta comercial da Microsoft junto das instituições.
Em termos mais concretos dos riscos regulatórios na oferta de serviços em cloud, o EDPS e o governo holandês realizaram em Agosto passado um primeiro evento para abordar o controlo sobre produtos e serviços nas tecnologias de informação, que envolveu também a Google e a Amazon.

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