Com aumento de veículos, como devolver as ruas às pessoas?

As expectativas sobre a (não) propriedade de automóveis privados têm sido, muito provavelmente, exageradas.

Há dois anos, um estudo afirmava que, na próxima década, haverá um decréscimo no número dos potenciais condutores com veículo próprio, devido à adopção dos mais baratos veículos autónomos e eléctricos e pelo seu tempo parqueado (cerca de 95%).

O estudo apontava que o número de veículos deverá cair de 247 milhões no próximo ano para apenas 44 milhões em 2030, com um impacto no consumo de petróleo a baixar dos 100 milhões de barris em 2020 para 70 milhões dez anos depois.

Antonio Seba, um dos autores do estudo, afirmava que as frotas de automóveis privados seriam geridos por empresas.

A sustentar esta visão estava um outro estudo da Lyft que apontava como quase 250 mil dos clientes de serviço automóvel partilhado tinha vendido ou não tinha substituído a sua viatura pessoal.

O número é muito reduzido comparado com o total de detentores de carta de condução nos EUA: quase 22 milhões em 2016.

Contrariando ainda este estudo, desde 2012 – quando se generalizou a oferta das empresas Uber e Lyft – notou-se um aumento na compra de veículo próprio. Por outro lado, o aparecimento destes serviços fez aumentar o tráfego automóvel urbano.

Pressões para devolver a rua

Apesar destes sinais, prosseguem as expectativas para diminuir o número de veículos próprios e agora também acompanhadas com o fim dos transportes públicos como sendo uma “solução inteligente e eficiente“.

Em resumo, quando estes novos serviços se generalizarem nas cidades, será questionável o financiamento dos transporte públicos, pelo que “agora é a altura para pensar como as cidades devem ser planeadas” para integrar os futuros carros autónomos.

A pressão para diminuir o trânsito pode surgir não da alternativa ao veículo próprio mas da pressão dos gestores das cidades, também eles pressionados pelos custos da poluição urbana.

Banir os veículos dos interiores das cidades tem levado a estratégias diferentes em cidades como Lisboa, Londres ou a “feliz cidade sem carros de Pontevedra“.

O nosso principal objectivo é devolver as ruas às pessoas“, sintetiza Hanna Marcussen, responsável do desenvolvimento urbano em Oslo.

* Imagem: Antonio DiCaterina/Unsplash; FAL

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