À procura de uma “modéstia digital” (actualizado)

Mais de 300 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) foram produzidas a consumir vídeo online no ano passado. E, em geral, usar a Internet polui mais do que andar de avião.

O vídeo online representa entre 50 a 60 % do tráfego de dados mundial, refere o The Shift Project no relatório “L’insoutenable usage de la vidéo en ligne“. Essa “pegada carbónica” inclui o “video on demand”, a visualização de pornografia e nas plataformas como o YouTube, bem como os vídeos disponibilizados pelas redes sociais.

O visionamento deste tipo de vídeos “gerou mais de 300 MtCO2e ao longo de 2018, semelhante a uma pegada carbónica comparável às emissões anuais de Espanha” em 2010.

Em resumo, apesar de parecer uma indústria menos poluente do que a sua versão antecessora, a vertente digital tem um enorme peso poluidor. E será que está a caminho “uma vergonha pelo digital“, após a “vergonha do avião“, sabendo-se que “precisamos urgentemente de mais ‘modéstia digital'”?

[act.: o estudo foi desmentido em “Factcheck: What is the carbon footprint of streaming video on Netflix?“]

A questão é tão ou mais urgente quando se sabe que, apesar dos seus compromissos públicos, as empresas tecnológicas não parecem relevar muito este problema.

A Google é um exemplo: para saber quanto CO2 a sua página emite, basta aceder a CO2GLE, um projecto lançado à cinco anos por Joana Moll.

Apesar dos avisos para a preocupante tendência crescente da poluição, a empresa foi criticada recentemente porque “fez ‘substanciais’ contribuições para alguns dos mais notórios negacionistas [das alterações climáticas] em Washington apesar da sua insistência que de que suporta a acção política na crise climática”.

Neste âmbito, a Google lançou o Environmental Insights Explorer para uma cidade “medir, planear e reduzir” a sua pegada carbónica. Excepto no Reino Unido, a ferramenta ainda não está disponível na Europa.

Por curiosidade, a primeira medição do impacto carbónico na temperatura foi publicada em Setembro de 1856 no artigo “Circumstances Affecting the Heat of Sun’s Rays“, do The American Journal of Science and Arts.

A constatação científica de Eunice Newton Foote “tornou-se um dos princípios-chave da meteorologia moderna”, apesar do trabalho da cientista ter demorado mais de um século a ser reconhecido.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.