As “notícias censuradas” do ano

Da manipulação das redes sociais aos reduzidos estudos sobre a tecnologia 5G, o Project Censored analisou o que considera as 25 questões noticiosas mais “censuradas” nos media norte-americanos.

As “Top 25 Censored Stories of 2018-2019” prosseguem a tradição iniciada em 1976, com 24 professores e 283 estudantes universitários de 15 instituições a analisarem mais de 300 notícias.

No âmbito mais mediático, salienta-se como o Departamento de Justiça norte-americano usou a legislação do Foreign Intelligence Surveillance Act (FISA) para monitorizar as comunicações de jornalistas e meios de comunicação social desde 2015, pelo menos. Recorde-se que a data coincide com a presidência Obama e ele estava a dois anos do final do seu segundo mandato. Uma recente decisão confirma a existência de vigilância interna a cidadãos norte-americanos.

Já em 2018, com Donald Trump na presidência, o Facebook estabeleceu relações com organizações que estabeleceram esta rede social como uma entidade capaz de censurar conteúdos no âmbito da política estrangeira dos EUA.

Alegando o combate às “fake news” e a protecção da “influência estrangeira”, o Facebook aliou-se ao Atlantic Council (“think tank” patrocinado pela NATO) e a duas “criações do governo dos EUA da era da Guerra Fria”, o National Democratic Institute e o International Republican Institute.

O Facebook serviu como “ferramenta” para a “censura estatal” a nível internacional, alterando os seus algoritmos para diminuir o acesso a sítios Web “progressistas” como a Common Dreams ou a Slate, bem como a páginas esquerdistas da Venezuela.

A nível interno, também o Pentágono pretende vigiar as redes sociais para “antecipar” protestos anti-governo. A medida parte da constatação de que, após os protestos contra Trump depois da eleição presidencial de 2016, estes poderiam ter sido “previstos pela análise de milhões de textos no Twitter de cidadãos americanos” – apesar do software utilizado não ser ainda totalmente fiável. Curiosamente, enquanto se mostram preocupados com o potencial de ataques terroristas internos e não entregam vistos a cidadãos do Iémen, Irão, Líbia, Síria ou Somália, os EUA permitem a entrada de “fascistas ucranianos [que] treinam supremacistas brancos”.

Ainda no domínio do potencial das redes sociais para dinamizar o “capitalismo da vigilância e minar a privacidade individual, soube-se como um programa da Google, o Opinion Rewards, oferece “prémios” aos utilizadores, a troco do acesso da empresa aos ecrãs e apps do seu smartphone.

Por fim, e apesar dos alertas sobre os problemas de saúde potencialmente originados pelas redes de telecomunicações móveis 5G, constata-se que foram realizados poucos estudos sobre esses efeitos relativamente às tecnologias predecessoras. E o Project Censored nota como os “media corporativos” alinham as suas notícias “em termos fornecidos pela indústria tecnológica”.

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