O BOB foi anunciado pelo Governo como sendo o “primeiro supercomputador a operar em Portugal” e será instalado no novo Centro de Computação Avançada da Universidade do Minho (Minho Advanced Computing Center ou MAAC).

Disponibilizado pela Universidade de Austin a partir do original denominado Stampede1 – que chegou ao fim dos quatro anos em funcionamento em Novembro de 2017 e se avançou para o Stampede2explicava-se como “esta nova infraestrutura de computação inclui vinte bastidores da plataforma de computação avançada Stampede1, cedidas à FCT [Fundação para a Ciência e a Tecnologia] pelo Centro de Computação Avançada do Texas (Texas Advanced Computing Centre ou TACC)”, no âmbito da parceria entre a universidade norte-americana e Portugal.

Com “instalação prevista para o primeiro trimestre” de 2018, Portugal iria assim receber 20 dos 182 bastidores (ou “racks”) – tantos quanto os entregues ao Centre for High Performance Computing (CHPC) na África do Sul.

A sua inauguração só sucedeu agora mas este não é o primeiro supercomputador em Portugal. Basta consultar a Top500, que há mais de 25 anos lista os maiores supercomputadores em funcionamento, para se perceber que até 2014, nas suas 42 edições, constavam 58 países, incluindo Portugal.

Na edição desse ano, não constava nenhum supercomputador nacional, “apesar de existirem já algumas boas máquinas usadas em investigação”, segundo o FCiências. “Neste caso temos o exemplo do QTREX na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto”, a ser usado desde Fevereiro de 2009.

Ainda em 2014, a Universidade de Coimbra adquiriu um supercomputador por 999.999 euros mais IVA. Aliás, esta última entidade dispõe de um Laboratório de Computação Avançada onde, entre 2007 e esse ano, o Milipeia foi “o primeiro supercomputador do género” em Portugal, como afirmava Pedro Alberto, coordenador do LCA onde o supercomputador Navigator também funcionava “desde 2015”.

Já no ano passado, foi a Universidade de Évora a adquirir um supercomputador por 634.105,29 euros.

Neste contexto, dificilmente se poderá dizer que BOB é o equipamento que inaugura a supercomputação em Portugal.

[actualização a 11 de Julho: foi decidido num encontro sobre redes, organizado pela FCCN em 1988, “a compra de um supercomputador que ficasse acessível a toda a comunidade de investigação e desenvolvimento através de uma rede nacional. O computador escolhido viria ser o Convex C220, com uma velocidade de computação 20 vezes superior ao computador de cálculo científico mais rápido disponível em Portugal na altura”. O equipamento já estava a funcionar em 1990 e foi adquirido principalmente com verbas do chamado Fundo CERN.]