O Observador foi o jornal líder na indexação pela Google nas notícias de Portugal no Google Notícias entre 13 e 22 de Maio. Foi igualmente o mais referenciado nas 89 notícias relativas às eleições europeias nesse espaço temporal.

O título online demarcou-se da concorrência, conseguindo 50 notícias nas 300 registadas ao longo de 10 dias e liderar com 29 artigos sobre as próximas eleições na Europa.

A data de início da recolha de dados a 13 de Maio coincidiu com a data oficial do arranque da campanha para as eleições europeias. Os registos eram efectuados ao final do dia, em diferentes horas.

Em segundo lugar na liderança das hiperligações para as notícias, o Sapo 24 conseguiu 30 referências mas apenas duas sobre as europeias. Ainda no “top 5”, seguem-se o Expresso (29 notícias para 17 referentes às eleições), o Público (28, com 11 sobre os candidatos eleitorais) e o Notícias ao Minuto, que regista um total de 23 artigos, com oito dedicados às eleições.

Relativamente aos cinco meios que mais abordaram as eleições europeias nesse período temporal, o Sapo 24 é substituído pelo ZAP, com seis referências:

É notório como, nas cinco posições iniciais, os três títulos nativos digitais conseguem posicionar mais de um terço do total de artigos. Juntos, o Expresso e o Público têm pouco mais que o total registado pelo Observador. Se a escolha dos leitores ocorrer por esta visibilidade, o título online terá uma notória preponderância nos acessos.

Hierarquia de apresentação das notícias não é transparente
Apesar de poderem existir outras notícias secundarizadas sobre o mesmo tema, as que surgem na primeira posição (ver imagem de destaque) não aparentam ter qualquer hierarquia específica por importância temática, horária ou outra.

Relativamente ao mesmo tema noticioso surgir em meios diferentes, raramente é classificado por ser a fonte original. Aliás, quando uma notícia é da agência noticiosa Lusa, não há um padrão detectável para perceber como é gerida a colocação da fonte que surge na primazia deste índice.

Algumas notícias estavam repetidas (nem sempre sobre as eleições), com um número reduzido a estar disponível até dois dias após a sua publicação original.

Nesta dezena de dias, foi a 19 de Maio que se registaram mais notícias sobre as eleições europeias (uma dúzia), a que se seguiu o dia 21 com 11 e uma dezena tanto a 16 como a 20 de Maio.

No dia 17 indexaram-se nove notícias, número que desceu para oito a 13, 18 e 22 deste mês. A 15 de Maio ficaram registadas sete notícias sobre as eleições europeias, mais uma do que no dia anterior.

Temas e títulos regionais pouco salientados
Alguns assuntos parecem estar afastados desta indexação. As notícias da meteorologia conseguiram sete registos, a tecnologia e a ciência ficam-se pelos cinco e dois, respectivamente, enquanto as notícias de desporto apenas são referenciadas três vezes.

Estes últimos três temas têm secções específicas no Google Notícias, o que pode ajudar a perceber a reduzida quantidade de referências na sub-secção Portugal. O tema “cultura” não foi analisado pelo excesso de artigos no caso Berardo.

Finalmente, com 11 registos, o Diário de Notícias (Madeira) é o mais bem posicionado jornal regional – numa definição tradicional do termo, dado que sendo online não é de uma região. Seguem-se o Notícias de Coimbra (cinco referências), O Minho e O Mirante com três e o Diário do Minho com duas.

Trabalho futuro pode analisar outras métricas, para perceber classificação da Google
Em termos de metodologia, este não é um trabalho científico. O seu âmbito visou apenas detectar padrões na proporção de notícias sobre as próximas eleições europeias registadas no Google Notícias e publicadas pelos media em Portugal. A recolha ocorreu para as primeiras 30 registadas na secção “Principais Notícias” e depois agrupadas em “Portugal”.

A comunicação social portuguesa mais tradicional não é preterida pela Google neste índice noticioso mas, da lista dos principais 16 títulos, os cinco media digitais conseguem um pouco mais de 120 notícias nas 300 analisadas, ao contrário do que ocorreu nos EUA.

Em “Audit suggests Google favors a small number of major outlets“, os autores notam o reduzido conhecimento sobre como o algoritmo da Google “selecciona e faz a curadoria das notícias”, nomeadamente em termos de levar tráfego directo aos meios de comunicação social e na “diversidade da informação” disponibilizada.

Neste caso, o estudo envolveu a auditoria às “Top Stories” das pesquisas no Google, uma funcionalidade já existente em Portugal como “Notícias principais”. A ligação entre esta função no motor de busca e o Google Notícias não é clara.

Actualizada no início de Maio, um outro trabalho (“Google Releases “Top Stories” Feature“) nota que os artigos preferidos parecem provir da agência Reuters, Forbes, New York Times, Washington Post e Fox News. O que se mantém é a falta de divulgação pela Google dos critérios de qualificação para aparecer como “notícia principal”.