O Project Censored chama-lhes as notícias censuradas mas são muito mais “as notícias que não foram notícia”, no sentido em que tiveram uma reduzida amplificação mediática.

Este ano, o Project Censored revelou a sua lista que inclui como programas de espionagem “open source” (de malware a outros vírus informáticos) foram vendidos em leilão aos maiores licitadores e assim puderam ser utilizados por uma larga maioria de interessados, nem sempre ligados às agências tradicionais de espionagem – culpadas também pela subcontratação de entidades externas, que não estão obrigadas a códigos de conduta das agências governamentais.

Noutra dimensão, um estudo sobre o impacto negativo em grávidas das radiações dos telemóveis ou de dispositivos sem fios foi “minado” por “tácticas de relações públicas” pela indústria das telecomunicações, usadas antes pela indústria tabaqueira nos anos 60 ou pelas empresas petrolíferas nos anos 80 do século passado. No geral, as notícias referem que as conclusões dos estudos científicos são “inconclusivas”.

Inconclusivo será também o chamado Russiagate, ligado à forma como potencialmente a Rússia terá minado as últimas eleições nos EUA, usando os media, incluindo as redes sociais. “Muitas pessoas sofrem quando as mentiras são relatadas como factos, mas parece que os meios de comunicação empresariais são os únicos que lucram quando reforçam uma hostilidade cega – contra não apenas a Rússia mas também a legítima dissidência interna”.

Os media são ainda visados pelo Project Censored, no caso do jornal Washington Post, por este ter proibido os funcionários de criticarem nas redes sociais os seus “clientes, anunciantes, assinantes, fornecedores ou parceiros”. O desrespeito pela norma interna pode terminar em despedimento.

Se o efeito interno nas redacções pode ter efeitos deprimentes, o mesmo sucede com os consumidores de notícias, para quem as “notícias negativas” os torna “deprimidos, ansiosos e desamparados“, num ambiente cada vez mais de pressão diária. Em alternativa, o “jornalismo construtivo” procura informar – e não deformar – o público a quem se dirige.

O Project Censored regista ainda, no âmbito tecnológico, a forma como as redes locais de acesso à Internet emergem, substituindo-se às funções federais e estatais nos EUA. Este modelo tem duas vantagens: protege o acesso aberto à Internet e garante uma maior velocidade de acesso a menor custo, diminuindo as desigualdades sócio-económicas regionais.

Por fim, revela-se como neste país as autoridades estão a usar o reconhecimento pela íris na fronteira com o México, recolhendo “240 elementos personalizados em segundos”. O objectivo é disseminar o processo de identificação biométrico a todas as autoridades no país – com todos os efeitos negativos que uma tal generalização tem em termos de privacidade pessoal.