No âmbito destas memórias sobre “Os ‘anos inesquecíveis’ para ter Internet em Portugal“, o testemunho do editor Libório Manuel Silva:

Em 1992, quando todas as empresas que utilizavam Internet em Portugal não lotavam uma sala, enquanto representante para Portugal da Informix utilizávamos os fóruns de discussão (“newsgroups”) de assuntos técnicos de informática, bem como o “e-mail”, para trocar mensagens com técnicos internacionais – ajuda preciosa e, já então, insubstituível na resolução de problemas técnicos relacionados com a programação e gestão de sistemas informáticos.

Antes de criar o Centro Atlântico em 1994 tinha organizado múltiplos eventos em Portugal para a Informix, pelo que, acompanhando o que estava a acontecer nos EUA e percebendo o impacto que a Internet poderia ter em Portugal nos mais diversos sectores de actividade, tornou-se claro que deveria organizar, no ano seguinte, um grande evento para revelar esta revolução no acesso à informação.

Em 1994, decidi criar o Centro Atlântico, que viria a ser, já em 1995, a primeira empresa em Portugal a oferecer serviços de formação (com formadores como Mário Valente [um dos criadores da Esotérica, das primeiras fornecedoras de ligação comercial à Internet], entre muitos outros) e a organizar aquele que seria o primeiro evento público sobre Internet no nosso país: Internet’95 – 1º Congresso Internacional de Produtos e Serviços Internet, que o Centro Atlântico organizaria até 2004.

Uma nota: o PUUG tinha anteriormente organizado outros eventos mas dirigidos aos seus membros e, recordo até, em 1994, em Portugal, era impensável oferecerem-se serviços comerciais relacionados com a Internet. Aliás, quando nesse ano me dirigi ao PUUG (então na Universidade Nova, no Monte da Caparica) para solicitar apoio para o Internet’95, o seu responsável (José Legatheaux Martins) quase me expulsou do seu gabinete, tal era a aversão a alguém ousar desenvolver actividades comerciais relacionadas com a Internet.

Em 1995, viríamos ainda a desenvolver os primeiros sítios Internet de muitas dezenas de empresas, incluindo grupos editoriais, bancos, empresas de informática, agências de publicidade, feiras/exposições, etc.

Um pormenor que passou despercebido então, pois demorou alguns anos a banalizar-se, foi o endereço “geral” nos “e-mails”, que decidimos tornar comum, quando todas as empresas adoptavam para o seu endereço de “e-mail” as designações “webmaster” e “info”.

Voltando ao Internet’95, hoje é difícil perceber o impacto e autêntico frenesim que se viveu na sala, com mais de 400 profissionais (as inscrições esgotaram duas semanas antes do congresso), quando Rui Bana e Costa [director de TI da Bolsa de Valores de Lisboa], no decorrer da sua apresentação, liga o modem e mostra, pela primeira vez para muitos dos presentes, mensagens de “e-mail” a chegar ao seu computador sinalizadas com o correspondente “beep”, o que levaria a sala ao rubro.