De 28.000 bps ao holograma

No âmbito destas memórias sobre “Os ‘anos inesquecíveis’ para ter Internet em Portugal“, o testemunho do professor universitário Carlos Correia:

As primeiras experiências de acesso à Internet foram quase tão desastrosas como as recordações das minhas primeiras declarações de amor: a ansiedade de concretizar a ligação era tão intensa que estremecia com a estridência dos bits e bytes a dialogarem no modem à estonteante velocidade de 28.000 unidades de informação por segundo. A ânsia da comunicação ora gaguejava nas linhas de cobre das telecomunicações, certamente saturadas por excessos de tagarelice digital, ora se afundava em silêncios sepulcrais.

Nos tempos do faroeste da Internet, ou seja, nos primeiros anos da década de 90 do século passado, eu necessitava tanto do acesso à Internet como de pão para a boca. Esta comparação não é nem metafórica, nem hiperbólica: estava então comprometido com a redação de uma tese de doutoramento pomposamente intitulada “Interacções Multimediáticas”, tijolo de sapiência com mais de 400 páginas onde era suposto dissertar sobre sistemas multimédia online e offline. Se os discos compactos interativos eram unidades físicas seguras, as aventuras online eram tão caprichosas e incertas como as previsões do boletim meteorológico. Mais tarde, com o advento da World Wide Web jamais esquecerei o alvoroço da criação do primeiro “site” Web do Centro de Investigação para Tecnologias Interactivas [da Universidade Nova de Lisboa], arquivado na WayBack Machine a 20 de Julho de 1997.

De então para cá as velocidades do débito melhoraram assim como os dispositivos de comunicação. Hoje fazer cursos online é coisa banal – difícil é fazê-los com qualidade! – mas isso não vem agora ao caso.

E o futuro como vai ser? Pela parte que me toca tenciono virar holograma carregadinho com toda a inteligência que ele conseguir suportar, juro!

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