Uma rede de corrupção política raramente tem mais de oito nós (pessoas) mas assume uma estrutura modular que normalmente engloba mais do que um caso de corrupção, afirmam investigadores do Brasil e da Eslovénia em “The dynamical structure of political corruption networks“.

O estudo, que se foca na corrupção política no Brasil nos últimos 27 anos (envolvendo 404 pessoas em 65 casos documentados), revela igualmente que usando a ciência das redes nestes cenários se pode determinar os nós centrais da estrutura de corrupção, antecipar quem serão os “parceiros em futuros escândalos” e como essa ciência pode “detectar e mitigar” esses casos.

Outra constatação é a de que a série temporal de casos ocorre durante quatro anos, o mesmo ciclo das eleições no Brasil, e que muitas vezes ela se altera “rapidamente quando muda o governo“.

Também por isto, os investigadores afirmam que a “estrutura modular de uma rede de corrupção é indicadora de fortes ligações entre diferentes escândalos, até ao ponto em que alguns podem ser agrupados e considerados como um único”, devido às participações pessoais e suas “intrincadas relações”.

Os dados sobre os casos foram obtidos a partir de fontes abertas, como imprensa brasileira e Wikipedia, mas casos mais recentes foram evitados por não terem ainda sido resolvidos pela justiça.

Em Inglaterra, um outro estudo focou-se na simulação da corrupção em empresas e no seu “contágio social” e detectou como “em organizações com estruturas mais horizontais”, elas são menos permeáveis à corrupção “em comparação com aquelas com maiores estruturas”. A “proporção final” para a corrupção é maior nestas últimas.

Finalmente, o estudo mais antigo “Psychological perspectives on corruption” revela como as “dinâmicas da corrupção” passam por quatro processos: “compulsão, conformidade, contágio e corrosão”.