A recente aprovação pela autoridade reguladora das telecomunicações norte-americana (FCC) do fim da “net neutrality” não está ainda terminada e tem de ser aprovada no Congresso.

No entanto, a decisão da FCC – com o desacordo de dois dos cinco comissários e várias alegações de fraude nos comentários à proposta – chamou a atenção para uma outra prática, menos regulamentada mas disseminada, denominada de “zero rating“.

Com o fim da neutralidade na rede (em que qualquer tráfego de conteúdos na Internet não era penalizado ou favorecido), esta prática de diferenciação de preços pode potenciar a emergência de fornecedores de conteúdos (“content providers” ou CPs) com menor qualidade de serviço, dizem investigadores em “Differential Pricing of Traffic in the Internet“.

A lógica parece simples: se os CPs antes lutavam pela qualidade dos conteúdos, aqueles com conteúdos com menor qualidade podem agora – sem a neutralidade da Net – pagar aos fornecedores do serviço de Internet (ISP) para terem mais rapidez no acesso aos seus sites ou serviços. Em resultado disso, aqueles com melhores conteúdos podem ser penalizados pela lentidão no acesso.

Em paralelo, dizem os investigadores, estas “estratégias de preços podem ser baseadas num planeamento a curto prazo” para se obter uma mais rápida maximização de receitas. Em paralelo, “os esquemas de diferenciação de preços, e em particular os métodos de ‘zero rating’, são não-neutrais já que permitem aos ISPs discriminar o conteúdo baseados na sua origem”.

O modelo prejudica o utilizador final, excepto se um CP com boa qualidade de serviço adere a este modelo de subsidiação. Pelo contrário, pode desencadear uma quebra na qualidade do serviço e dos conteúdos, apenas atenuada se existir regulação no preço de acesso pelos CPs.