Julia Reda denunciou na semana passada a posição da Comissão Europeia (CE) de ordenar a não publicação de um estudo onde se demonstra como os agregadores de notícias têm um impacto positivo para os media.

A eurodeputada pelo Partido Pirata alemão comenta mesmo que se fica com a “impressão” de que a CE apenas publica estudos que se encaixam na sua “narrativa política” mas não os que a desafiam.

No documento “Online News Aggregation and Neighbouring Rights for News Publishers“, que deveria ter sido publicado em Novembro de 2016, é claramente afirmado que “os agregadores de notícias têm um impacto positivo no retorno publicitário dos editores de notícias”.

Uma colaboração mais estreita entre ambos os lados pode levar a “novos modelos de negócio que geram mais retorno para os editores”, bem como “responde melhor às preferências dos consumidores”.

Uma “solução mais eficiente” permite aos editores colaborar com estas plataformas para “monetizar” a agregação de dados dos utilizadores, por exemplo, possibilitando uma publicidade mais eficaz – e assim escapar aos modelos tradicionais de publicidade ou assinaturas.

O documento lembra que o Facebook já partilha 70% das suas receitas publicitárias com os editores, enquanto a Google se recusa a fazê-lo por não incorporar anúncios no seu agregador de notícias.

Após acordos com os editores belgas e franceses em 2012, a Alemanha tentou obrigar o Google News a partilhar receitas no ano seguinte, seguindo-se a Espanha de forma mandatória em 2014, altura em que a empresa removeu o serviço neste país.

Interesse em “fonte adicional de rendimentos”
O estudo da CE confirma um outro realizado pela consultora NERA para a Asociación Española de Editoriales de Publicaciones Periódicas em Maio passado.

Além de notarem como “os agregadores de notícias, mais do que um prejuízo para os editores”, têm benefícios como levar tráfego às suas páginas Web, a consultora afirma não haver qualquer “justificação – teórica ou empírica – para a existência de um pagamento” pelos “benefícios” trazidos pelos agregadores de notícias aos editores.

Aliás, este pagamento (como se tentou em Espanha) é danoso para os pequenos editores, criando barreiras à sua entrada e expansão, com um “consequente impacto negativo na concentração e concorrência” e também nas opções dos utilizadores, dos anunciantes e da inovação nestes sectores.

A decisão legislativa espanhola “seguiu os interesses de um grupo particular de editores os quais, dada a quebra no seu negócio, tentou obter uma fonte adicional de rendimentos, mesmo em detrimento de outros editores”, refere ainda o estudo.