Há 20 anos, a ocupação de Timor-Leste pela Indonésia juntou hackers portugueses e catalães.

Em 1997, o grupo português T0XyN efectuou o primeiro ataque a uma rede de um governo na campanha “Free East Timor”, com “defacements” a sites “.id” (o domínio da Indonésia), mas sem eliminar informação ou inutilizar os servidores atacados.

Em “Hackstory.es – La historia nunca contada del underground hacker en la Península Ibérica“, Mercè Ferrer conta como já antes tinham existido “defacements” mas nunca uma “campanha que durou meses e meses” e acabou por ter o apoio de outros grupos portugueses como os UrBan Ka0s e os Portuguese Hackers Against Indonesian Tiranny (P.H.A.I.T.). Foi com a colaboração destes grupos que, no maior ataque daquela campanha, a 22 de Novembro de 1997, ocorreu a única destruição de dados.

O grupo português contou com a ajuda de Savage, membro do grupo catalão The Apòstols, criado em 1989. É Savage que fornece alguma tecnologia aos portugueses para a sua campanha “hacktivista”.

Savage conheceu os elementos do ToXyN em 1996, quando eles “tentaram hackear algumas máquinas do meu ISP [fornecedor de acesso à Internet]. Tornámo-nos colegas e em 1997 fiz algumas coisas impublicáveis que eles utilizaram na campanha contra a Indonésia”.

Ataques sim, ciberguerra não
Nos anos 90 do século passado, a cultura do hacking era pouco conhecida em Portugal (excepto para quem nela participava). Grupos eram poucos, como o Pulhas – considerado o mais antigo, criado em 1994 -, Ironik ou T0XyN (de 1996).

Este último foi o que teve mais impacto com a campanha pela libertação de Timor, desde 1997 – depois também apoiada pelos KaotiK, grupo criado provavelmente nesse ano – até 1999.

Apesar de terem adulterado sites do governo indonésio, a 13 de Janeiro desse ano os TOXyN e os Pulhas desmarcam-se de outros ataques a governos e aparecem com grupos internacionais conhecidos de hackers na comunicação social para subscreverem a primeira declaração conjunta contra a ciberguerra e quaisquer ameaças à “infra-estrutura de informação de um país, por qualquer razão”.

“Mantenham as redes de comunicação vivas. Elas são o sistema nervoso para o progresso humano”, dizia o documento.

A posição visava a Legion of the Underground (LoU), que tinha declarado em Dezembro de 1998 uma ciberguerra contra o Iraque (devido às alegadas armas de destruição maciça) e China (por questões de direitos humanos). A LoU acabou por recuar nas suas intenções.