O PowerPoint pode ser mais do que uma sequência de “slides”?

Apresentado em Agosto de 1984 pela Microsoft, o programa que se tornou símbolo de apresentações em conferências e reuniões atingiu um novo patamar – poder ser usado como uma máquina de Turing.

Apesar das suas “improváveis origens” na época do computador pessoal estar a entrar no espaço laboral, o programa teve êxitos e muitas críticas.

Em 2008, foi usado como apresentação dentro do jogo Unreal. No ano seguinte, foi criticado pelo seu uso nas salas de aula e os professores aconselhados a não o usarem pela potencial falta de criatividade. 59% de 211 estudantes de uma universidade inglesa considerava o PowerPoint chato.

Entre altos e baixos, até os militares criticaram o seu uso.

O programa era a “antítese do pensamento” porque “não é uma ferramenta neutral – é activamente hostil à tomada de decisão pensadora”, disse T. X. Hammes.

No âmbito desta “arte” da “slide-ologia”, criticou-se o PowerPoint por ter entrado nas salas de aula muito antes de ser entendida a melhor forma de o usar.

Em 2010, os militares foram novamente chamados a falar do programa, no artigo “We Have Met the Enemy and He Is PowerPoint“. O exemplo da complexidade das apresentações e da informação em cada “slide” foi dado por Stanley A. McChrystal, responsável das forças dos EUA e da OTAN no Afeganistão. Segundo ele, “quando conseguirmos entender o ‘slide‘, teremos ganho a guerra”.

Em “PowerPoint Is Evil, Redux“, uma crítica a esse artigo do NYT, considera-se que o programa estava a ser usado em fins para os quais não tinha sido concebido.

Outra voz a favor do uso do programa em ambiente empresarial surgiu de Sarah Kaplan, que considerou o seu uso “potencial para democratizar a decisão estratégica“.

Em 2015, voltaram as críticas ao uso do “tóxico” PowerPoint em ambiente universitário, reclamando-se que tornava “os estudantes estúpidos e os professores chatos“.

O programa instalado em mais de mil milhões de computadores e usado de forma generalizada em missas ou conferências ou “briefings” militares, “colonizando” as paredes ou ecrãs das salas, continuou em anos recentes a ser visto como prejudicial para a percepção pessoal e até a afectar as marcas que o usam.

Agora, entre o cómico e o útil e no que promete não ser o último capítulo destas polémicas, um investigador pretendeu demonstrar que ele pode ser mais do que um simples programa de sequência de “slides”, ao apresentar uma teórica PowerPoint Turing Machine.

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