O modelo viciante do funcionamento das redes sociais está a ter várias críticas, incluindo de investidores e funcionários das mesmas.

“Será que uma geração futura olhará para 10, 20 ou talvez mesmo 100 anos atrás e se vai admirar, de forma misteriosa, como uma geração de seres humanos acreditava nestas plataformas, apesar da crescente evidência de que estavam a separar a sociedade – sendo usadas como ferramentas de recrutamento de terroristas, facilitando o ‘bullying’, provocando ansiedade e prejudicando as nossas eleições – e apesar dos óbvios benefícios e facilidades que fornecem?”

A questão é colocada na revista Vanity Fair, onde o autor revela como vários actuais e ex-funcionários das redes sociais as estão a abandonar, bem como investidores ou jornalistas. E acredita que, desta vez, está a ocorrer “o início de uma mudança significativa”, sendo a culpa desses mesmos media sociais.

Como outros, considera que elas funcionam como as drogas. A ideia não é nova: Sean Parker, um dos primeiros investidores do Facebook e seu primeiro presidente, declarou que a intenção desta rede social desde o início era funcionar como uma droga, fornecendo alguma dopamina e respectivo prazer cerebral de vez em quando ao utilizador.

Redes sociais a alertarem para o seu uso exagerado?
Esta recompensa – que ocorre igualmente com a cocaína, o tabaco ou o jogo – leva outros autores a afirmar que “Social Media Is The New Smoking, And You Are Addicted“.

Sendo o seu objectivo ter o maior número possível de utilizadores e captar a sua atenção ao longo do tempo (para mostrar publicidade, a sua principal fonte de receitas), este “Brain Hacking” é um “vício”, um “produto viciante-por-design – tal como a nicotina”, prejudicial para os utilizadores mas que “reforça um comportamento no nosso cérebro”.

Como sucedeu com o tabaco, diz o autor, as empresas estão a querer chegar às crianças “como futuros consumidores”, de que o novo Messenger Kids do Facebook pode ser visto como exemplo.

Por isso, e tal como sucede com o tabaco ou o álcool, as redes sociais deviam ter avisos a alertar para os perigos do seu uso exagerado.

A socióloga Amber Case vai mais longe e considera que a culpa é igualmente dos equipamentos. “O telemóvel é o novo cigarro” e “o cérebro sofre com a constante ligação”, já que “vivemos constantemente em atenção parcial, nunca estamos presentes, e assim não temos tempo de reflexão”.

Apesar da tendência das “calm technologies“, Alan Jacobs sintetiza que o problema está em que o ser humano “evita pensar“.

Para o professor da Baylor University e autor de “How to Think”, “relativamente poucas pessoas querem pensar. Pensar preocupa-nos; pensar cansa-nos. Pensar pode forçar-nos a sair dos nossos confortáveis hábitos familiares”.

Jacobs critica as redes sociais – nomeadamente o Twitter, que conhece melhor – pela sua velocidade e por encorajarem respostas imediatas. “É-se convidado a dar uma dessas respostas e a fazê-lo rapidamente porque algo vai surgir 10 segundos depois. É esta combinação que penso ser nova. Somos como ratos na gaiola, pressionando o botão para ter comida”.

Segundo ele, o “Twitter prestaria um grande serviço à humanidade se colocasse um controlador de tempo de cinco minutos nos tuítes antes das pessoas poderem responder-lhes. Claro, eles não farão isso”.