A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) necessita de uma estratégia para os conflitos futuros, nomeadamente ao nível da ciberguerra. Por isso, deve analisar antecipadamente “o impacto das novas tecnologias no espaço da segurança” e “considerar” a criação uma entidade semelhante à Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA) dos EUA.

A recomendação é uma das que consta no relatório “One Alliance: The Future Tasks of the Adapted Alliance“, elaborado pela GlobalSec, uma entidade independente e não governamental.

A OTAN deve estar preparada e ter uma estratégia para a “guerra do futuro” e explorar melhor as novas tecnologias da informação e as novas capacidades da inteligência artificial [IA] no domínio do “Big Data”, uso militar das nanotecnologias ou das “máquinas inteligentes”.

Na medida de preparar uma futura OTAN e da revisão para uma estratégia mais abrangente, a organização deve entender melhor “a interacção entre todas as formas de guerra na idade contemporânea”, incluindo o apoio dos aliados a nações que possam estar a ser atacadas nas suas instituições políticas através de “fake news” e interferência em eleições.

Apesar do Joint Centre to Combat Hybrid Warfare, uma DARPA na OTAN poderia “educar os líderes e a comunidade da defesa em geral sobre o papel futuro que as tecnologias vão desempenhar no comando, especialmente a IA”. Isto a par de ser “catalisador” para novos projectos de investigação e desenvolvimento no âmbito dos parceiros da aliança.

No início de Novembro, a OTAN anunciou querer dotar-se de capacidades para a ciberguerra. “Devemos ser tão eficazes no ciberdomínio como somos em terra, no mar e no ar, com um entendimento em tempo real das ameaças que enfrentamos e a capacidade de responder como e onde escolhemos”, afirmou o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg.

O problema será o financiamento. Uma análise recente mostra como os países membros da União Europeia (mais a Noruega) necessitam de investir anualmente entre 27,2 mil milhões e 40,8 mil milhões de euros nos próximos cinco a sete anos na modernização das suas forças armadas.