As redes sociais são uma forma de vigilância e a operação do Facebook tem uma escala “para lá das normais interacções humanas”.

O utilizador acaba por criar um perfil que pensa ser seu mas a empresa cria um outro, um “perfil sombra” segundo a Gizmodo, relacionado com as interligações com os outros “amigos” da rede social.

O Facebook não gosta deste termo por parecer que faz algo às escondidas mas é exactamente isso que sucede, também por poder agregar dados de outras suas aplicações como o Instagram ou o WhatsApp.

A socióloga Danah Boyd chamava-lhe “networked privacy“, em 2011. Mas, no recente texto sobre “The Radicalization of Utopian Dreams“, ela lembra como muitos dos que criaram a “infra-estrutura dos media sociais como a conhecemos cresceram com o idealismo utópico de pessoas como John Perry Barlow” e da sua “Declaration of Independence of Cyberspace“.

Então, o que correu mal?
Jaron Lanier, um pioneiro da realidade virtual mas atento e crítico sobre as tecnologias, argumentou em 2010 que “a Web estava a criar ‘servos digitais’ – utilizadores que cediam os seus dados e privacidade sem recompensa monetária ou voz no sistema”.

Agora, e a propósito do seu novo livro “Dawn of the New Everything“, a Economist escreve como as “plataformas Web se preocupam mais com o tempo que os utilizadores passam nos seus ‘sites’ do que na experiência ou no que consomem”.

Um exemplo concreto? É ver a recente comparação entre a publicidade vista em papel e online, quando “a atenção é finita“.

Lanier, diz a revista, está “optimista de que as coisas podem ser resolvidas, talvez ao instituir um sistema de pequenos pagamentos aos utilizadores pelos seus dados” ou trabalhos disponibilizados online. Segundo ele, “os seres humanos, não algoritmos, devem estar no centro da economia da Internet”.